Alunos de fotografia retratam a beleza do Haiti

Fotografias captadas por jovens haitianos mostram orgulho e beleza, num país onde a agitação é a regra.

Texto Alexandra Fuller   Fotografias Alunos da FotoKonbit 

Tamara Pierre, de 6 anos, em Ca Douche, traz choublak (flores de hibisco) no cabelo. “Tirei esta fotografia porque o hibisco é uma das minhas flores preferidas”, explica Myrmara.- Fotografia  Myrmara Prophète, 14 anos.

 Os fotógrafos aprendizes haitianos tinham entre 14 e 35 anos e provinham de todas as partes do país e de todos os quadrantes socioculturais. Estavam incumbidos de uma missão tão simples que parecia radical: mostrar ao mundo o Haiti como raramente o país é visto. No fundo, teriam de o mostrar como eles o viam: não apenas o país de catástrofes e salvamentos, mas também um lugar onde o sol brilha e torna o mar cintilante, um lugar animado pela música e pela espontânea irrupção de dançarinos a tocar trompetes de bambu entre a atmosfera de uma festa de rua. Um lugar de orgulho e com possibilidades. 
“Foi bom, porque nós, haitianos, estamos cansados de ler reportagens em jornais estrangeiros que descrevem o nosso infortúnio”, disse-me Junior Saint Vil, meu intérprete e consultor de viagens, que também está a frequentar um curso de Direito. “Aqui existe tanta beleza, tanta força.” Junior sugeriu que visitasse um sacerdote vudu, um houngan, em Arcahaie, uma cidade costeira a cerca de quarenta quilómetros de Port-au-Prince. 


Wilky captou, de manhã cedo, as actividades desenvolvidas na praia Jacmel, enquento os pescadores recolhem as redes. "Gosto muito da maneira como os nossos pescadores trabalham", disse. "Com muita determinação, capturam o peixe para alimentar as suas famílias". Fotografia Wilky Douze, 19 Anos.

Cheguei ao templo numa tarde escaldante de meados de Agosto. Um assistente explicou que o sacerdote se sentia cansado porque estivera levantado quase a noite inteira a prestar serviços telepáticos a um cliente de Miami. Mesmo assim, o venerável homem, que me pediu para não divulgar o seu nome, emergiu vestindo um barrete de lã preta, uma T-shirt de poliéster com padrão de leopardo, calções de praia pretos e uma corrente de ouro ao pescoço. Fez-me lembrar a representação hollywoodesca de um ditador africano em férias.

O vudu nasceu como religião dos escravos da ilha e permanece profundamente enraizado na cultura dos descendentes desses escravos. Por outras palavras, é a religião de quase toda a ilha.
“Você é daquelas pessoas que consideram os haitianos incapazes de tratarem dos seus próprios assuntos?”, perguntou. “Que nos vêem como crianças a precisar de tutela?” Exprimia-se num tom lento e calmo. O aroma a perfume recentemente oferecido aos espíritos vudu pairava no ar. Poças de cera de vela pontilhavam as aspersões de farinha, complexas invocações dos espíritos, chamadas vèvès, no solo do templo.

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