Regresso às Seychelles

Texto Kennedy Warne   Fotografias Thomas P. Peschak

O atol de Saint Joseph, de propriedade privada, foi outrora explorado para fins comerciais, em negócios de peixe e coco, mas hoje é valorizado
pela sua biodiversidade marinha e colónias de aves marinhas. Em 2014, a ilha foi transformada em reserva natural, dispondo igualmente de uma
área marinha protegida. A sua conservação é gerida pela Fundação Save our Seas.

 Nick Page, um amável neozelandês de rosto crestado pelo sol e cabelo preto encaracolado, exibe uma fotografia do animal mais procurado da ilha de Assunção: o tuta-de-faces-vermelhas, uma ave minúscula, de crista à moicano e um tufo de penas vermelhas cor de fogo por trás de cada olho. Desde 2013, uma equipa de vigilantes da natureza capturou com rede 5.278 tutas-de-faces-vermelhas nesta pequena língua de terra com 12 quilómetros quadrados, 400 quilómetros a norte da ilha de Madagáscar. Resta agora apenas uma última ave.

Aldabra é a mais ocidental das 115 ilhas e atóis que formam o arquipélago das Seychelles

Nick já teve o alvo 5279 ao alcance da mira por duas vezes, mas o azar atrapalhou-lhe o disparo. Na primeira ocasião, um milhafre-preto atravessou-se no ar, assustando a presa; da segunda vez, caiu uma carga de água tempestuosa. Eis as provações por que passa o atirador furtivo. Mas Nick acredita que “com um pouco de sorte e muita perícia no jogo das escondidas”, atingirá o tuta. Estica o polegar, com um esgar sorridente, e diz: “Este é o tamanho do alvo.”

Os tutas-de-faces-vermelhas são aves alegres, com um canto jovial. Endémicas da Ásia, foram introduzidas como animais de estimação por mineiros na década de 1970. Não se sabe ao certo se foram deliberadamente libertados, mas a sua população cresceu e transformou-se numa praga. A razão que conduziu à sua erradicação não é a presença em Assunção, mas a proximidade de Aldabra, a 28 quilómetros de distância.

Aldabra é a mais ocidental das 115 ilhas e atóis que formam o arquipélago das Seychelles e constitui uma das mais importantes reservas naturais do mundo. Entre os seus tesouros biológicos, conta-se um tuta endémico. Os responsáveis pela conservação da natureza temem que, se o imigrante asiático colonizar a ilha, concorrerá com o tuta local e outras aves endémicas, privando-as de recursos alimentares escassos, escolhendo como presas os invertebrados endémicos e introduzindo sementes de plantas invasoras.

Depois do sucesso alcançado na criação de parques e reservas em metade da área terrestre das Seychelles, o governo e os seus parceiros
desenvolvem actualmente colaboração para proteger 30% do território marítimo de 1,3 milhões de quilómetros quadrados do país.

Para proteger as jóias, é preciso repelir os invasores, resume a líder do projecto de erradicação, Jessica Moumou. “Os tutas-de-faces-vermelhas já conseguiram entrar uma vez em Aldabra: podem consegui-lo de novo.”

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