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Texto: Jaume Saladrigas

Resguardada por um fiorde e rodeada de florestas e lagos, Bergen é a porta de entrada para um litoral que parece ter sido forjado por gigantes, com braços de mar que entram pelas escarpas até alcançarem aldeias salpicadas por casas de madeira.

Fundada em 1070, a cidade transformou-se em três séculos. Deixou de ser uma aldeia de pescadores e tornou-se a sede viking de um império que controlava o comércio mundial de bacalhau. Esta evolução está documentada no Museu Hanseático, um edifício no bairro portuário de Bryggen, núcleo da actividade mercantil entre os séculos XIV e XVI. Na actualidade, os antigos armazéns de madeira pintados de várias cores acolhem restaurantes e bares que, no Verão, são os pontos ideais de paragem para tomar uma cerveja Hansa, a marca local, enquanto se contempla o sol mergulhando no mar.

Para saborear Bergen a fundo, é fundamental dispor de tempo. Se madrugar, é possível perder-se no buliçoso mercado de peixe e, assim, dispor do resto do dia para visitar o salão medieval de Haakon, de 1261, integrado no Museu da Cidade. A Igreja de Santa Maria (do séculoXII) é um templo imperdível sobretudo se conseguir ouvir o seu órgão barroco. Por último, convém subir por funicular a Floyen (320 metros de altitude), que dispõe de um miradouro extraordinário sobre Bergen e o seu enquadramento paisagístico, um bom aperitivo para a paisagem que encontrará ao longo da viagem.

A etapa seguinte é Myrdal, localidade montanhosa construída 183 quilómetros a norte de Bergen, no sector dos fiordes do Noroeste. É aqui que verdadeiramente começa o percurso do comboio de Flåm,  um  dos  trajectos  ferroviários mais bonitos da Europa. A metamorfose na paisagem é espectacular: tundra, montanhas e cascatas para finalmente quase tocar nas águas do fiorde de Aurland. O Hotel Fretheim de Flåm, de 1870, é uma boa opção para degustar a gastronomia dos fiordes: peixe salgado e fumado da forma tradicional (trutas, principalmente) e carne de veado e rena, tudo acompanhado de compota de frutos silvestres e batatas cozidas.

No cais, aguarda o barco que navega pelo fiorde de Aurland com destino a Leikanger, uma aldeia nas margens de outro mítico local – o Songefjord. As suas águas, de um azul intenso, fluem entre as escarpas pelas quais se precipitam cascatas como a de Vettisfossen, com 275 metros de altura.

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Leikanger é uma aldeia agradável, ideal para passar uma noite e explorar aenvolvente rural. O viajante penetra aqui no coração de uma região frutícola e isso nota-se na paisagem e na mesa, com maçãs, peras e ameixas de excelente qualidade.

A próxima paragem é outra encantadora cidade: Loen, no sopé do fiorde Geiranger. Foi uma dos primeiros povoados a apostar no turismo graças à sua localização privilegiada, junto do Parque Nacional de Jostedalsbreen, uma extensa região de campos de gelo e glaciares que alimentam estes espectaculares fiordes. O glaciar mais acessível é o de Briksdal, uma longa língua de gelo que se alcança comodamente em veículos descobertos conhecidos aqui como trollcars.

O fiorde de Geiranger, juntamente com o de Sogne e o de Hardanger, mais a sul, faz parte do catálogo de espaços naturais escandinavos classificados como Património Mundial pela UNESCO.

A melhor e mais vertiginosa panorâmica consegue-se na Rota dos Trolls ou Trolltigen, uma estrada de 1936 que alcança cotas próximas dos dois mil metros e tira partido de trilhos com inclinações de nove por cento. Existem vários miradouros que convidam a sair do carro, encher os pulmões de ar puro e dedicar-se durante um tempo a fotografar a paisagem, enquanto recupera o fôlego da aventura.

Os genuínos contrastes paisagísticos são produzidos na rota até Hellesylt. Estes 17 quilómetros de travessia oferecem um espectáculo inesquecível: a água do degelo precipita-se em quedas de água como a famosa Cascata das Sete Irmãs e o Pretendente, jorrando a mais de duzentos metros de altura do solo. Na mais alta das escarpas, aparecem quintas simples, associadas a parcelas discretas de terreno. São vestígios de um passado rural não muito longínquo, no qual as comunicações requeriam longas travessias por caminhos escarpados ou de barco. Parte daquele espírito indómito sobrevive na gastronomia da região, no gudbrandsdalsost, um queijo acastanhado produzido com leite de cabra e caramelo.

Daí em diante, o caminho faz-se por estrada através do condado de More and Romsdal, circundando vales onde se cultivam morangos. Os fiordes estão aqui colonizados por produtores de moluscos, ostras e salmões.

A ilhade Godoy, comumpitoresco farol de 1876, oferece um vislumbre da vidabravia cercada por água e montanhas. É a última oportunidade de descanso antes da derradeira etapa da viagem pelos fiordes noruegueses: a cidade de Ålesund, capital do modernismo escandinavo.

Nomeada recentemente como a cidade mais bonita da Noruega, Ålesund encanta à primeira vista. O porto e o centro histórico são constituídos por edifícios desenhados ao mais puro estilo de art nouveau. Gárgulas, escadas em caracol, torreões, fachadas com ninfas e flores esculpidas ou em cerâmica abundam por aqui.

Este registo tão particular é o resultado do trabalho de reconstrução realizado depois do incêndio que em 1904 arrasou a cidade. Graças ao patrocínio do imperador alemão Guilherme II, um veraneante assíduo destes fiordes, Ålesund acrescentou o interesse artístico e cultural à sua incontestável fama de porta de entrada num dos territórios mais assombrosos do Norte da Europa.

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OSLO, UMA CAPITAL PARA SER VIVIDA. A capital norueguesa oferece inúmeros desafios aos viajantes que desejem tirar partido da vitalidade de uma cidade famosa pela sua história e arquitectura. O passeio pode começar no bairro medieval, reconhecendo a especificidade de alguns museus e casas onde nasceram artistas como Munch. O dia acaba quase sempre na contemplação das águas do fiorde de Oslo. 

GUIA DE VIAGEM

Documentação: Cartão de cidadão.

Idioma: Norueguês.

Moeda: Coroa norueguesa.

Como chegar: Embora não existam voos directos a partir de Lisboa ou do Porto, existem voos diários com escalas em várias cidades europeias, ligando-as a Oslo ou Bergen. O trajecto de comboio entre as duas cidades dura oito horas.

Como se deslocar: A alternativa a um cruzeiro é o carro de aluguer, que permite viajar por estradas panorâmicas e embarcar nos barcos de transbordo que percorrem os fiordes.

Mais informações:

www.visitnorway.com

www.nordfjord.no

 

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