Até que ponto conhecemos as criaturas do mar? Um fotógrafo português retomou o clássico preto e branco para mostrar o mundo do azul profundo.

Fotografia: Luís Quinta

Em 1926, a National Geographic publicou a primeira fotografia subaquática a cores, revolucionando o modo como observávamos o oceano.
Em breve, todo o registo subaquático abandonaria o preto e branco em nome da cor e da expressão documental.

Há trinta anos que Luís Quinta fotografa o oceano – desde as águas próximas da Fonte da Telha e Sesimbra aos oceanos distantes do planeta. Em cada reportagem, ou mesmo em cada fotografia, habituou-se a procurar o registo fotojornalístico, a documentação do que via. “Há uma certa responsabilidade no mergulho”, diz. “O fotógrafo subaquático vê fragmentos da realidade que poucos têm oportunidade de avistar. Cabe-lhe passar essa mensagem para o público.”

Em três décadas, a realidade ambiental deteriorou-se assustadoramente e essa constatação detonou o mais recente projecto fotográfico do autor. Procurando no preto e branco a expressão artística e o registo pormenorizado, Quinta quer mostrar as águas portuguesas continentais e insulares como um mundo “belo, desconhecido e ameaçado”. A sobrepesca e a pesca acessória nas zonas da plataforma continental, o impacte da poluição e da contaminação das águas e a invasão de plástico que penetra nas massas de água e dificilmente dali sai constituem formas de pressão ambiental menos agressivas do que em terra, mas tão ou mais nocivas para a vida marinha.

Neste projecto, Luís Quinta [que colabora com a edição portuguesa da National Geographic desde o primeiro número] não procura imagens espectaculares de comportamentos raros ou pouco documentados de mamíferos ou dos grandes peixes. “Interessa-me cativar o observador com a beleza e não o espectáculo, esperando levá-lo a reflectir, sem os milhares de tons azuis que distraem o olho humano, sobre o mar e as suas criaturas. Há mais informação no monocromatismo do preto e branco do que em toda a exuberância da cor.”

Usando apenas luz ambiente, sem recorrer a flash na maioria das fotografias captadas, o projecto “concentra-se na beleza esquecida das silhuetas, na forma hidrodinâmica das criaturas do mar e na enorme diversidade de tudo o que, abaixo da superfície, se movimenta e nos apaixona”.

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