Um fotógrafo capturou os padrões invisíveis que as aves desenham nos céus.

Texto: Catherine Zuckerman

Há anos que o fotógrafo Xavi Bou se sente fascinado por esta questão. Da mesma forma que uma serpente deixa um rasto sinuoso quando desliza pelo solo, uma ave em voo também deve deixar algum tipo de padrão. No entanto, as aves não deixam vestígios enquanto voam ou, pelo menos, estes não são visíveis a olho nu. Actualmente com 38 anos, Xavi Bou passou os últimos cinco anos a tentar captar os traços fugazes desenhados pelas aves em movimento ou, nas suas palavras, a “tornar visível o invisível”.

Primeiro, teve de abandonar o papel de mero observador. “Tal como um naturalista, eu viajava pelo mundo para observar animais selvagens”, diz. Começou a explorar técnicas fotográficas que lhe permitissem documentar a beleza das aves de uma forma nunca antes vista.

Decidiu trabalhar com uma câmara de vídeo, da qual extrai fotografias de alta resolução. Depois de filmar as aves em movimento, o fotógrafo escolhe uma secção do filme e monta os fotogramas individuais de modo a formar uma imagem. Considera o processo semelhante à revelação de película fotográfica, na medida em que não consegue ver o resultado final com antecedência. Existe um segundo mágico, explica, em que a imagem (quimérica e surreal) começa a emergir.

Antes de iniciar este projecto ao qual chama “Ornitografias”, Xavi Bou licenciou-se em geologia e fotografia em Barcelona e trabalhou de seguida como perito de luminotecnia na indústria da moda, tendo igualmente sido co-proprietário de um estúdio de pós-produção. Agora, este trabalho permite aliar a sua paixão à profissão que exerce. “É técnico, desafiante, artístico e natural. É a ligação que eu procurava entre fotografia e natureza.”

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