Imóveis no interior do DeepSee, observamos os tripulantes do Argo, sobre o convés, a berrar ordens, como se fosse um filme mudo.

Texto: Gregory S. Stone

Soltam-se então as amarras e ficamos à deriva, um minúsculo pontinho no meio da imensidão do oceano Pacífico. O piloto Avi Klapfer inunda os tanques de lastro e afundamo-nos, rodeados por bolhas de ar. Um mergulhador emerge do mar de bolhas para fazer um ajustamento final à caixa de acondicionamento da máquina fotográfica, montada sobre o exterior do submersível. Lá fora, junto à máquina fotográfica, há equipamento hidráulico, propulsores e centenas de outras peças essenciais que garantem a nossa segurança.

Eu, Avi e o fotógrafo Brian Skerry somos os três tripulantes e encontramo-nos atravancados dentro da esfera de 1,5 metros do DeepSee, rodeados de equipamento de comunicação, válvulas de pressão, comandos, comida, máquinas fotográficas e tudo aquilo de que precisamos na nossa demanda em busca de um monte submarino que dá pelo nome de Las Gemelas. O seu grupo de cumes ergue-se a partir do leito do Pacífico, junto à ilha de Cocos, 500 quilómetros a sudoeste de cabo Blanco, na Costa Rica.
O cume mais elevado atinge a altura aproximada de 2.300 metros.

Por regra, os montes submarinos formam-se quando as montanhas vulcânicas se erguem a partir do leito oceânico mas não chegam a atingir a superfície, pois aqueles que o fazem tornam-se ilhas. A comunidade científica calcula que existam cem mil montes submarinos com pelo menos mil metros de altura. Mas se incluirmos também os que se podem classificar como pequenas colinas ou cumes arredondados, o número poderá elevar-se a um milhão.

Até agora, a ciência observou poucos destes oásis de vida das profundezas e, de todos os montes submarinos da Terra, foram estudadas escassas centenas. Há possivelmente mapas da superfície de Marte mais minuciosos do que das zonas mais distantes do leito oceânico.

E, no entanto, nestas encostas ou cumes, há labirintos vivos de corais duros, esponjas e corais moles circundados por cardumes de peixes, alguns dos quais peixes-relógio com mais de cem anos de idade. No meio deste mar pululante de vida, poderá existir uma nova espécie capaz de produzir novos componentes químicos com potencial de cura para doenças?

Em 2011, a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, classificou Las Gemelas como Área de Gestão de Montes Submarinos. No entanto, para os montes submarinos de todo o mundo, essa riqueza encontra-se ameaçada. Os arrastões que se dedicam à pesca de alto-mar fazem arrastar sobre os montes redes lastradas com pesadas correntes para capturar os cardumes que se agregam em seu redor. No decurso deste processo, as redes destroem corais, esponjas e outros invertebrados de crescimento lento. Uma vez abaladas, estas comunidades podem demorar séculos ou milénios a recuperar.

Pulsando, medusas transparentes deslizam na escuridão, embatendo contra o submersível e ricocheteando em todas as direcções. Uma jamanta paira sobre nós para dar uma olhadela. Ainda nos encontramos na zona fótica, onde a luz do Sol penetra e fornece energia a microscópicas plantas oceânicas capazes de fotossíntese e responsáveis pela produção de grande parte do oxigénio da Terra. Em seguida, descemos mais. O oceano fica escuro como breu.

A cerca de duzentos metros de profundidade, as luzes do submersível permitem ver o fundo do oceano. De súbito, mesmo no limite do alcance das luzes, um vulto ergue-se do leito oceânico. Alguém graceja que talvez tenhamos encontrado os destroços desconhecidos de um navio naufragado, mas em vez disso é um vestígio vulcânico, talvez com milhões de anos. Poucos minutos depois, um zumbido abafado diz-nos que Avi inverteu os propulsores e está a conduzir o submersível até o posicionar escassos centímetros acima do fundo, numa cratera antiga do agora extinto vulcão que forma Las Gemelas.

Este é o último dos nossos cinco mergulhos a bordo do DeepSee, após uma semana de visita a Las Gemelas. Durante o tempo que aqui passámos, observámos os animais que habitam o cume deste monte e os invertebrados que ocupam a coluna de água em seu redor.

O nosso submersível emerge cinco horas mais tarde. Arrumamos o equipamento a bordo do Argo e começamos a viagem de regresso às nossas vidas continentais, rodeados de terra, onde iremos analisar os dados recolhidos e acrescentar mais uma peça ao quebra-cabeças do nosso oceano global.

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