Montes submarinos

Imóveis no interior do DeepSee, observamos os tripulantes do Argo, sobre o convés, a berrar ordens, como se fosse um filme mudo.

Texto: Gregory S. Stone

Soltam-se então as amarras e ficamos à deriva, um minúsculo pontinho no meio da imensidão do oceano Pacífico. O piloto Avi Klapfer inunda os tanques de lastro e afundamo-nos, rodeados por bolhas de ar. Um mergulhador emerge do mar de bolhas para fazer um ajustamento final à caixa de acondicionamento da máquina fotográfica, montada sobre o exterior do submersível. Lá fora, junto à máquina fotográfica, há equipamento hidráulico, propulsores e centenas de outras peças essenciais que garantem a nossa segurança.

Eu, Avi e o fotógrafo Brian Skerry somos os três tripulantes e encontramo-nos atravancados dentro da esfera de 1,5 metros do DeepSee, rodeados de equipamento de comunicação, válvulas de pressão, comandos, comida, máquinas fotográficas e tudo aquilo de que precisamos na nossa demanda em busca de um monte submarino que dá pelo nome de Las Gemelas. O seu grupo de cumes ergue-se a partir do leito do Pacífico, junto à ilha de Cocos, 500 quilómetros a sudoeste de cabo Blanco, na Costa Rica.
O cume mais elevado atinge a altura aproximada de 2.300 metros.

Por regra, os montes submarinos formam-se quando as montanhas vulcânicas se erguem a partir do leito oceânico mas não chegam a atingir a superfície, pois aqueles que o fazem tornam-se ilhas. A comunidade científica calcula que existam cem mil montes submarinos com pelo menos mil metros de altura. Mas se incluirmos também os que se podem classificar como pequenas colinas ou cumes arredondados, o número poderá elevar-se a um milhão.

Até agora, a ciência observou poucos destes oásis de vida das profundezas e, de todos os montes submarinos da Terra, foram estudadas escassas centenas. Há possivelmente mapas da superfície de Marte mais minuciosos do que das zonas mais distantes do leito oceânico.

E, no entanto, nestas encostas ou cumes, há labirintos vivos de corais duros, esponjas e corais moles circundados por cardumes de peixes, alguns dos quais peixes-relógio com mais de cem anos de idade. No meio deste mar pululante de vida, poderá existir uma nova espécie capaz de produzir novos componentes químicos com potencial de cura para doenças?

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