As comunidades da Baixa Califórnia, no México, estão a limitar voluntariamente as capturas para manter bons níveis de safra, promover o turismo e preservar um modo de vida.

Texto Erik Vance   Fotografia Thomas P. Peschak

 

Na lagoa San Ignacio, uma turista a bordo de um navio coloca a mão na água com esperança de tocar numa das várias baleias-cinzentas que frequentam a baía. Outrora temidos pelos pescadores, estes animais invulgarmente amigáveis são agora uma componente essencial da economia.

Falta meia hora para o Sol nascer e o oceano parece tinta negra quando bate na areia. 
Uma dezena de pescadores, sentados no gabinete do capitão de porto em Punta Abreojos, riem-se e conversam sobre a festa que os espera à noite.
Nesta aldeia da península mexicana da Baixa Califórnia, o ambiente é festivo porque hoje é a abertura da época do abalone. Na verdade, a época abriu há quatro meses, mas Punta Abreojos cumpre uma invulgar restrição auto-imposta. Em vez de pescarem abalone assim que o governo o permite, em Janeiro, a comunidade espera até Abril, quando o molusco já ganhou mais peso.

Nesta aldeia da península mexicana da Baixa Califórnia, o ambiente é festivo porque hoje é a abertura da época do abalone.

Avanço pelo Pacífico na companhia de três pescadores cinquentenários que trabalham juntos desde a adolescência. “Cavalo” trata do motor, “Toupeira” recolhe os sacos de abalone e “Peixe” é, evidentemente, o mergulhador.
“Peixe” acaba de regressar de Pebble Beach, na Califórnia, onde praticou surf e golfe. Veste um novo fato de mergulho. Antes de chegarem ao local de pesca, “Cavalo” pára a embarcação sobre um recife repleto de abalones. “Aqueles são os abalones verdes [Haliotis fulgens]”, diz “Toupeira”. “Só vão estar prontos daqui a, pelo menos, um mês.”
Algumas milhas depois, “Peixe” salta para a água. Passadas duas horas atinge o limite de captura e emerge com um sorriso e um saco repleto. Na maioria das aldeias piscatórias do México, homens como estes estariam a fazer uma parca colheita em águas esgotadas, vivendo com dificuldades. O que os torna tão optimistas em relação à próxima época? Como conseguem comprar equipamento novo e gozar férias em campos de golfe?

Um praticante de mergulho livre nada com peixes no golfo da Califórnia, junto do cabo Pulmo. A biomassa do único recife de coral do golfo aumentou duas a três vezes desde que foi declarado zona de captura interdita. 

A cooperativa de pesca da aldeia foi criada em 1948 e, durante muitos anos, funcionou como as outras, retirando o máximo possível do mar. Na década de 1970, porém, após algumas safras decepcionantes, os pescadores decidiram experimentar uma nova abordagem. Decidiram gerir a lagosta (e mais tarde o abalone) a longo prazo, em vez de pensarem em lucros imediatos.
Actualmente, Abreojos e algumas comunidades da Baixa Califórnia que pensam de forma semelhante seguem a mesma estratégia e capturam mais de 90% dos abalones do México. As casas de Abreojos estão pintadas de fresco. A aldeia tem uma equipa de basebol e outra de surf. A lagosta e o abalone são enlatados numa fábrica de processamento moderna e vendidos directamente à Ásia, maximizando os lucros. As águas da aldeia são vigiadas recorrendo a radares, navios e aviões. Os pescadores reformados recebem pensões.

No Noroeste do México, algumas comunidades conseguiram proteger os seus recursos subaquáticos.

Talvez Zacarías Zúñiga, de 67 anos, seja o indivíduo mais indicado para reflectir sobre este sucesso. O seu pai, que ajudou a fundar a cooperativa, sentia dificuldades em fazer a captura diária. Zúñiga trabalha numa fábrica de enlatados. Graças a uma bolsa de estudo financiada pela cooperativa, o seu filho é professor de informática. “Todos trabalhamos e todos somos proprietários”, diz.
Punta Abreojos não é a única história de sucesso nesta região do México. As populações de peixe estão a sofrer reduções drásticas em todo o mundo e espécies como o atum, a tartaruga e a garoupa são cada vez mais raras. Contudo, no Noroeste do México, algumas comunidades conseguiram proteger os seus recursos subaquáticos. Estas áreas de microconservação são criadas pelas comunidades, ou com o seu apoio, uma estratégia que muitos ambientalistas consideram essencial. A forma como o fizeram pode servir de exemplo para comunidades piscatórias de todo o mundo.

Um tubarão-branco nada na Reserva da Biosfera da Ilha Guadalupe. É um dos poucos locais do mundo onde estes tubarões se reúnem em águas transparentes e tornou-se um pólo de atracção para o mergulho. O ecoturismo rende centenas de milhões de euros ao México.

A história das pescarias na Baixa Califórnia é uma saga de altos e baixos. Quando o escritor John Steinbeck visitou a península em 1940, maravilhou-se com a incrível biodiversidade. Avistou ali enormes cardumes de mantas, leitos de ostras perlíferas e tantas tartarugas que os mais velhos diziam ser possível atravessar o mar caminhando sobre as suas carapaças.
Contudo, em poucas décadas, o homem descobriu o limite, dizimando os leitos de ostras selvagens. Depois disso, virou-se para as tartarugas, o atum, os tubarões, as garoupas e uma dezena de outras espécies.
Para agravar a situação, durante décadas, o governo mexicano incentivou os trabalhadores desempregados a tornarem-se pescadores, ao abrigo de um programa denominado Marcha até ao Mar. No Sul da península, que só se tornou uma província mexicana em 1974, isto resultou numa cultura auto-suficiente que ainda hoje subsiste.

Octavio Aburto mergulha junto da ilha Espíritu Santo. Este biólogo procura as razões para o sucesso de algumas reservas. Descobriu a importância da comunidade que habita o local. “Começa-se por incutir orgulho nas pessoas e um compromisso com a recuperação”, diz. A cobertura fotográfica desta reportagem foi apoiada pela Fundação Save Our Seas.

“As pessoas estão habituadas a tratar dos seus assuntos sozinhas”, diz Octavio Aburto, biólogo marinho que estuda os bancos de pesca locais há 20 anos. “Eles não esperam que seja o governo a agir.” Após décadas de excesso de captura, a região assistiu a um colapso dos bancos de pesca de determinadas espécies, à medida que as famílias perseguiam os peixes ainda existentes. Em alguns locais, pequenas comunidades começaram a inventar formas de manter os recursos. Um dia, as suas ideias disseminaram-se.

Em alguns locais, pequenas comunidades começaram a inventar formas de manter os recursos.

Destas histórias de sucesso dispersas emergiram cinco regras-chave para uma gestão sustentável do oceano apoiada pelas comunidades. A primeira: como acontece em Abreojos, é vantajoso o local ser relativamente isolado, sendo explorado por uma ou duas comunidades. Segunda: a comunidade precisa de um recurso de grande valor, como a lagosta ou o abalone. Líderes fortes e visionários são o terceiro requisito. Quarto: os pescadores precisam de um modo de sustento enquanto os recursos recuperam. E, por fim, a comunidade tem de estar unida pela confiança. 
Na Baixa Califórnia, a importância destas regras é ilustrada por várias comunidades além de Abreojos. Um exemplo extraordinário de um recurso de grande valor pode ser observado e tocado na lagoa San Ignacio, a cerca de trinta quilómetros para sul.

Um cardume de jamantas devora plâncton junto da ilha Espíritu Santo, outrora ponto de encontro de tubarões e raias. O número destes animais diminuiu dramaticamente na década de 1990 devido ao aumento da procura global. Desde então, graças a esforços locais de conservação, várias populações conseguiram recuperar. 

Em 1972, segundo uma lenda local, Francisco Mayoral estava a pescar no seu lugar habitual na lagoa. Tal como era costume entre os pescadores da região, levava a bordo um remo para bater no barco caso uma baleia-cinzenta se aproximasse de mais. Na altura, pensava-se que as baleias-cinzentas eram criaturas perigosas, capazes de partir um barco ao meio. Passado pouco tempo, uma baleia nadou junto do barco. Movido por curiosidade ou talvez por ousadia, Francisco esticou o braço para lhe tocar. A baleia encostou-se e deixou-o tocar-lhe na pele macia e esponjosa. Foi nesse instante que nasceu uma indústria quase familiar. Em finais da década de 1980, Francisco e outros pescadores guiavam dezenas de turistas até às baleias.

Gráfico Matthew W. Chwastyk. Fontes: Juan Bezaury-Creel, The Nature Conservancy; Jorge Urbán Ramírez, Programa de Ciência do Ecossistema da Lagoa San Ignacio; Jeffrey Seminoff, NOAA; Erik Vance; The State of the World’s Sea Turtles.

Actualmente, a observação de baleias é uma das actividades económicas mais importantes da região e existem dezenas de unidades de alojamento de ecoturismo ao longo da costa. Por incrível que pareça, as baleias-cinzentas e as suas crias ainda se aproximam das embarcações, embora ninguém saiba ao certo porquê.
Igualmente incrível é a forma como as comunidades lidaram com a situação. Ao contrário de Baía Magdalena, a sul, onde os guias perseguem  e perturbam os animais em sessões desregradas, San Ignacio limita o número de embarcações na água a dezasseis. A pesca na lagoa é proibida durante a época de observação de baleias para que elas possam ter paz e sossego com as crias.
A preservação deste estuário natural não é apenas uma protecção das baleias. Protege igualmente habitats de berçário essenciais para peixes e invertebrados. Em meados da década de 1990, a Mitsubishi tentou construir uma salina junto da foz da lagoa que poderia ter provocado consequências consideráveis no ecossistema. A comunidade, auxiliada por organizações ambientais, mobilizou uma campanha agressiva para impedir o projecto e acabou por ser bem-sucedida.

A vida marinha ocupa um lugar de destaque na história da península. As culturas pré-hispânicas pintavam raias, tubarões, golfinhos, atuns e focas nos desfiladeiros isolados da cordilheira de San Francisco (em cima). Actualmente, estes animais desempenham um papel importante no turismo mexicano em locais como a Reserva da Biosfera do Arquipélago de Revillagigedo, no oceano Pacífico. Neste local, os mergulhadores podem assistir a cenas como esta, em que uma manta é limpa por peixes-anjo (em baixo). Fotografia captada com a autorização do Conselho Nacional para a Cultura e Artes do México (Instituto Nacional de Antropologia e História, INAH, México).

Dirijo-me à baía numa panga de sete metros com turistas ansiosos pela experiência absurdamente única de acariciar uma baleia. Roberto Fischer, o pescador que nos guia, avisa que não há garantias de tocarmos ou sequer de vermos uma baleia. São elas que decidem se vêm ter connosco. Nós não podemos segui-las. Algumas centenas de metros ao largo da costa, um vigilante pago pela comunidade observa-nos para assegurar que cumprimos as regras. De repente, o rostro de uma baleia aparece e uma vaga de excitação inunda o navio.
“Estou a vê-la! Viste-a?”, grita um turista. Timidamente, a baleia-cinzenta com as suas crias aproxima-se para nos inspeccionar. O seu filhote vem até nós menos timidamente e, pouco depois, está a espreitar de ambos os lados da embarcação enquanto os turistas tentam esticar as mãos. A progenitora junta-se a ele e uma terceira baleia também demonstra algum interesse.

Há situações em que um jornalista deve manter um certo distanciamento, mas isso é impossível quando uma baleia se encosta à nossa embarcação e abre a boca.

“É sopa de baleia!”, diz Roberto. Há situações em que um jornalista deve manter um certo distanciamento, mas isso é impossível quando uma baleia se encosta à nossa embarcação e abre a boca, aparentemente à espera de uma carícia. Estico a mão e toco na pele suave e nodosa e depois, surpreendentemente, toco-lhe na língua.
Cabo Pulmo é o lugar onde a terceira regra para uma conservação marinha bem-sucedida (a necessidade de líderes visionários) é mais evidente. Na década de 1980, era uma aldeia piscatória parada no tempo, junto da extremidade da península. Demasiado pequena e pobre para conseguir comprar máquinas de gelo para arrefecer o peixe e manter as vias rodoviárias para transportá-lo até ao mercado, Cabo Pulmo sustentava apenas meia dúzia de pescadores, alguns dos quais trabalhavam no recife localizado ao largo da costa. Em meados da década de 1980, biólogos visitaram a aldeia e emprestaram uma máscara de mergulho aos pescadores. Aquilo que viram alarmou-os: observaram as marcas deixadas pelas suas âncoras, cabeças de coral reviradas e pouquíssimos peixes.

Uma cria de elefante-marinho espreita para a lente junto da ilha Guadalupe enquanto outros juvenis brincam nas imediações. As reservas criam santuários onde espécies outrora quase extintas prosperam. A maximização da capacidade de renovação das populações é um factor vital para a conservação dos oceanos na actualidade.

“Olhávamos para o recife como se fosse a nossa horta e não um ecossistema”, conta Judith Castro, líder da comunidade. “Os pescadores não sabiam os danos que estavam a causar.”
No início da década de 1990, o irmão de Judith, pescador e mergulhador, e o proprietário de um bar coordenaram uma proposta para estabelecer uma reserva marinha. Em 1995, a maior parte das pescarias foi interdita numa área de 71 quilómetros quadrados, criando uma reserva legal sem captura – a única bem defendida da região. Pode não ser grande, mas aparentemente não é preciso muito espaço para recuperar uma comunidade oceânica. Actualmente, o Parque Nacional do Cabo Pulmo tem uma biomassa duas a três vezes superior à existente em 2000 e uma economia vibrante baseada no mergulho turístico.
O desenvolvimento de um modelo turístico é uma excelente forma de salvar um ecossistema ameaçado, mas nem todas as aldeias piscatórias têm esse luxo. Além disso, o turismo não gera muitos postos de trabalho. Em San Ignacio, sustenta apenas cerca de duzentas pessoas e só alguns meses por ano. Depois, regressam à pesca.

O desenvolvimento de um modelo turístico é uma excelente forma de salvar um ecossistema ameaçado, mas nem todas as aldeias piscatórias têm esse luxo.

O que nos leva à quarta regra. Para a conservação funcionar, os pescadores precisam de uma maneira de ganhar dinheiro enquanto esperam que os seus recursos recuperem. E os esforços de conservação requerem mão-de-obra. Com isto em mente, a comunidade de El Manglito (situada no estuário que faz fonteira com a cidade de La Paz) adoptou uma estratégia curiosa.
Antigamente, os pescadores costumavam apanhar marisco à vontade na ampla baía de águas pouco profundas a oeste da cidade. Em 2009, restava pouco. Com apoio financeiro da Noroeste Sustentable, uma organização sem fins lucrativos de La Paz, os pescadores interromperam a pesca e começaram a gerir os seus recursos. Foram pagos para vigiar a pesca furtiva e realizar censos biológicos, com estimativas da quantidade de marisco. O primeiro censo calculou que restariam menos de cem mil animais. Actualmente, o valor é mais próximo de 2,3 milhões.
“Ouvi sempre dizer que eram os pescadores que destruíam as espécies, mas agora já não é assim. O mar já nos deu muito. Estamos a retribuir”, diz Antonio Méndez, um pescador.
A consequência mais importante foi o facto de, ao vigiarem ou avaliarem os recursos, os pescadores receberem salários enquanto o marisco recuperava. Pagar-lhes permitiu a transformação de pescadores em guardiões do ambiente.

As comunidades locais recorrem a diversas estratégias para retirar sustento dos recursos marinhos. Há quem dependa do turismo, como este antigo pescador da baía Magdalena, que leva pessoas a verem tubarões, baleias e pelicanos a mergulhar em busca de peixe. 

 A última regra é, possivelmente, a mais difícil de cumprir. Para a conservação funcionar, é essencial haver coesão e confiança na comunidade. Na região rural da Baixa Califórnia, pode ser difícil descobrir confiança nos vizinhos, mas é possível criá-la. Pelo menos é nisso que a Niparajá, uma organização de conservação sediada em La Paz, está a apostar. A Niparajá trabalha em bancos de pesca sustentáveis numa região particularmente desolada do Sudeste da península, junto do corredor Loreto–La Paz. Ao longo da acidentada linha costeira, existem poucos seres humanos e ainda menos estradas. No entanto, destas comunidades piscatórias isoladas avistam-se alguns dos melhores habitats não-protegidos da região.

Destas comunidades piscatórias isoladas avistam-se alguns dos melhores habitats não-protegidos da região.

Quando a Niparajá começou a trabalhar, não se concentrou na pesca. Em vez disso, promoveu torneios de futebol. “Como se começa a criar confiança?”, pergunta Amy Hudson Weaver, coordenadora do programa. “Não se começa por falar em pesca. Tem de ser assim: será que este tipo me vai dar uma canelada ou respeitar as regras? Será alguém em quem posso confiar?”
O patrocínio de torneios de futebol em aldeias minúsculas pode parecer um desperdício de tempo e dinheiro, mas a verdade é que foi criando lentamente confiança entre as aldeias que escondiam ciosamente os bancos de pesca. Depois, a Niparajá levou alguns pescadores ao cabo Pulmo para lhes mostrar o impacte que uma moratória da pesca pode ter na vida marinha. Por fim, passados anos de conversações, as aldeias decidiram dar uma oportunidade à conservação. Cada uma escolheu uma área pequena e comprometeu-se a não pescar nela durante cinco anos. As áreas não são grandes, mas foi um começo. “É como ter uma conta a prazo”, resume José Manuel Rondero, um pescador de 35 anos.
Para monitorizar as reservas, a Niparajá teve uma ideia inteligente. Todos os anos aluga um navio de investigação e empreende uma viagem ao longo de um troço de 100 quilómetros do corredor com alunos de biologia, cientistas do estado e pescadores de cada comunidade.

As cinco áreas protegidas de maior dimensão da Terra são parques marinhos e a vida oceânica recupera no interior das suas fronteiras.

Caímos na água junto de uma encosta submarina íngreme. Muitos pescadores a bordo já mergulharam na reserva de Cabo Pulmo, mas vários disseram-me que não tinham ficado impressionados. Viram imensos peixes, mas nada comparado com o que o corredor poderia ter.
Compreendo o que me dizem. Os inúmeros recantos e rochas são habitats perfeitos. José Manuel leva consigo uma fita métrica, puxa 30 metros e nada ao longo dela com um quadro na mão, contando peixes num sentido e invertebrados no outro. Depois senta-se e conta os peixes que vê.
Os totais são um pouco desanimadores. Quando saímos da água, José Manuel explica que esta zona de pesca interdita é pequena e muito recente. Nas maiores, viu a biomassa aumentar em poucos anos. Uma reserva marinha mais para norte floresceu recentemente e as comunidades decidiram expandi-la. “Este ano é melhor do que qualquer outro ano”, comenta. “Estou a vê-la muito reabastecida. Há imensos peixes.”
Esta investigação é essencial. As cinco áreas protegidas de maior dimensão da Terra são parques marinhos e a vida oceânica recupera no interior das suas fronteiras. Mas que tipos de habitat geram os melhores resultados ecológicos? 

Magdalena foi prejudicada por esforços de conservação fracassados. Mais a norte, os habitantes de Punta Abreojos gerem os seus recursos de modo a garantir a existência de produtos de valor elevado como o abalone e a lagosta.

As reservas minúsculas do corredor são os sítios perfeitos para responder a estas perguntas, mas estas viagens também cumprem um papel de divulgação importante. Poucos confiam no Estado e muitos defendem que os esforços de conservação são conspirações misteriosas. No corredor, porém, cada comunidade valoriza a opinião dos pescadores que trabalharam com os biólogos marinhos. Sempre que José Manuel regressa do navio de investigação, a sua comunidade bombardeia-o com perguntas.
“Tenho uma vida repleta de grandes experiências de pesca”, diz, sentado no barco, certa noite. “Orgulho-me de ser pescador. A comunidade tem muitas necessidades, mas vivemos felizes.”
Contemplando a água naquela sublime linha costeira, pergunto-lhe se ele quer que a filha se case com um pescador. Ele faz uma pausa e responde, com um sorriso: “Não. Quero que ela seja bióloga marinha e que faça o tipo de trabalho que estou a fazer agora.” 

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