Os gorilas salvos por Dian Fossey

Para alguns ruandeses, era uma intrusa ameaçadora, mas o seu trabalho impediu a extinção dos gorilas de montanha. Agora, os grandes símios enfrentam novos desafios.

Texto Elizabeth Royte   Fotografía Ronan Donovan

 

Dian Fossey dedicou quase vinte anos ao estudo dos gorilas, até ser assassinada em 1985. Criou relações próximas com alguns animais, incluindo estes órfãos resgatados – Coco e Pucker. Fotografia “Bob Campbell Papers”, Área de Estudos e Colecções Especiais, Biblioteca George A. Smathers, Universidade da Florida.

Pouco depois do nascer do Sol, dois gorilas de montanha balançam graciosamente sobre o muro que delimita o Parque Nacional dos Vulcões, no Noroeste do Ruanda. Aterrando suavemente sobre erva aparada, os animais de dorsos prateados passeiam pela encosta abaixo sobre campos cultivados, caminhando sobre os nós dos dedos a princípio e depois em posição bípede. Os machos adultos marcam a casca das árvores com os seus incisivos. Depois, acompanhados por fêmeas e juvenis do seu grupo, ao qual os investigadores chamaram Titus, aproximam-se de um caule de bambu.

Os machos adultos marcam a casca das árvores com os seus incisivos.

Mais tarde, Veronica Vecellio, directora do programa dos gorilas do Fundo Internacional Dian Fossey para o Estudo de Gorilas, apoia-se num tronco no alto de uma encosta nas montanhas de Virunga. Concentra a atenção num animal de dorso prateado conhecido como Urwibutso. O gorila salta frequentemente o muro, mas agora dobra com cuidado folhas de cardo antes de as pôr na boca. Quando se vira para Veronica, esta fotografa-o e depois amplia uma ferida que detecta no nariz.
“Andou a lutar com outro ‘dorso prateado’ do grupo Titus esta manhã”, sussurra. Os “dorsos prateados” são assim designados devido aos pêlos brancos que surgem nos machos quando atingem a maturidade.

Se Dian não tivesse protegido os gorilas e o seu habitat, é provável que estes símios (na imagem descansando nas encostas de grande altitude do monte Karisimbi), não existissem hoje. No entanto, os seus esforços granjearam-lhe a inimizade de muitos habitantes locais.

Há dez anos que o grupo Titus salta às escondidas o muro do parque e aventura-se um pouco mais longe. A situação não é perfeita. Os gorilas não comem as batatas nem os feijões plantados pelos aldeãos, mas podem vir a fazê-lo. Para já, matam árvores, um recurso valioso, e aproximam--se bastante dos dejectos dos seres humanos e do gado, que estão carregados de agentes patogénicos. O potencial de zoonose entre espécies é elevado e as probabilidades de os gorilas sobreviverem a um surto virulento são reduzidas. Por isso, quando o grupo Titus chega demasiado perto das casas de Bisate, os vigilantes da natureza, equipados com caules de bambu, enxotam-nos suavemente de volta para a encosta.
Dian Fossey, uma norte-americana sem experiência na investigação de animais selvagens, chegou a África para estudar os gorilas de montanha no fim da década de 1960, a pedido do antropólogo Louis Leakey e com financiamento da National Geographic Society. Em 1973, a população destes grandes símios nas montanhas de Virunga descera abaixo de 275, mas hoje, graças a medidas de conservação radicais, existem cerca de 480.

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