Gronelândia: A terra do nada

Com que se parece o nada? 

Texto e Fotografia Murray Fredericks

 

Uma constelação de orbes, anéis e halos acima do manto de gelo da Gronelândia. Estes fenómenos ópticos ocorrem quando os cristais de gelo suspensos por ventos fortes, os piteraqs, refractam a luz solar. MANTO DE GELO #4724, 22˚ E 46˚ HALO, ARCO TANGENTE, ARCO DE PARRY, ARCOS CIRCUNZENITAIS E CÍRCULO PARÉLICO.

Viajei à Gronelândia para descobrir a resposta a essa pergunta. Em três anos, desloquei-me seis vezes até lá desde a minha casa, na Austrália. Fui atraído pelo vazio branco do local, uma paisagem desprovida de acidentes orográficos, perfeitamente plana. O gelo estende-se até ao horizonte em todas as direcções.

Quando o ocaso se transforma em noite, as nuvens e uma aurora (em cima) tingem o céu escuro. As auroras manifestam-se quando os electrões solares excitam átomos de oxigénio e azoto na atmosfera superior da Terra. Também é possível observar nuvens lenticulares em altitudes elevadas. Esta panorâmica (em baixo) mostra o que acontece quando ventos de alta velocidade são empurrados para cima na atmosfera gélida sobre o manto de gelo. MANTO DE GELO #3373, BANCO DE NUVENS E AURORA, PANORÂMICA COMPOSTA POR QUATRO IMAGENS (EM CIMA); MANTO DE GELO #2338, PANORÂMICA COMPOSTA POR TRÊS IMAGENS.

A reportagem fotográfica neste sítio isolado revelou-se uma tarefa fria e dura. Vivi durante meses numa tenda no gelo da Gronelândia, onde os índices de resfriamento por acção do vento correspondiam a -50°C e as nevascas provocadas pelo levantamento da neve de superfície se prolongavam dias a fio. Nos piores momentos, pensava na família, nos meus filhos e temia que não valesse a pena correr o risco. 

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