O desenvolvimento acelerado alimenta o crescimento da China, mas o processo tem provocado danos no rio Amarelo, um dos mais importantes recursos naturais do país. 

Texto e Fotografia Ian Teh

Segundo funcionários públicos da província de Qinghai, a subida do nível das águas no lago Ngoring, na bacia hidrográfica do rio Amarelo, demonstra que os esforços ambientais estão a resultar. Para a comunidade científica, contudo, os efeitos das alterações climáticas são os responsáveis mais prováveis.

Ao observarmos uma paisagem, tendemos a pensar nela como um espaço estático. Na verdade, porém, está sempre a mudar. 
E isto é especialmente válido no que respeita à planície da China Setentrional. Desde a era imperial à actual fase de reformas, as sociedades humanas tentaram controlar o ambiente. A paisagem conserva vestígios deste esforço, documentando por conseguinte o passado.

Numa reserva natural em Dongying, um pavilhão para aves apresenta-se silencioso e vazio. A ecologia desta região, ponto de escala fundamental para aves migratórias, foi prejudicada pela rápida industrialização. Uma unidade de extracção de petróleo nas imediações também não ajudou. 

A primeira parte deste projecto actualmente em curso centrou-se na indústria do carvão chinesa e nas suas repercussões no país. A partir de 2011, trabalhámos na segunda parte: seguir o rio Amarelo, documentando o papel desempenhado pelas políticas públicas nesta história dinâmica. 
Uma importante percentagem da população e da indústria pesada da China concentra-se na planície da China Setentrional. No entanto, a região possui menos de 10% dos recursos hídricos do país. O controlo da água é uma componente essencial da governação: as políticas públicas têm repercussões sobre a terra e a vida dos chineses, mas tudo o que acontece no país terá consequências também a nível mundial, devido à dimensão da China. 

Na província de Xandong, no baixo curso do rio Amarelo, máquinas de extracção de petróleo e uma lagoa de aquicultura (no topo) localizam-se perto umas das outras. A indústria pesada pode matar a vegetação, poluir o solo e a água e libertar agentes de contaminação. Mas não é só isso que se passa aqui. Nas proximidades (em baixo), os habitantes locais caminham à sombra de uma turbina eólica, na orla costeira da baía de Bohai. A China é o maior produtor mundial de energia eólica e fotovoltaica, bem como de tecnologias de rede inteligente. Gera mais energia renovável do que a Alemanha e a França juntas. 

A regulamentação ambiental é abundante na China, mas raramente é considerada prioritária e não costuma ser aplicada. Os funcionários públicos são recompensados pelo desenvolvimento económico das regiões que representam e, por isso, têm muitos incentivos para colocar os lucros de curto prazo à frente dos objectivos ambientais de longa duração. 
Para obter uma visão panorâmica desta paisagem, no espírito da pintura paisagística chinesa clássica, utilizo uma lente de grande formato. Quero transmitir a importância fundamental do rio na cultura e na história e explicar por que razão é a base do poder económico.

Durante milhares de anos, o Amarelo tem sido fonte de vida, assegurando actualmente o sustento de 200 milhões de pessoas na planície da China Setentrional. A sua degradação põe a nu o lado negro do milagre económico chinês.
Ao focar-me nas dissonâncias desta frágil paisagem, espero mostrar que a satisfação dos nossos desejos materiais acarreta enormes custos ambientais. 

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