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À medida que a noite cai, sete juvenis mostram-se despreocupados com o futuro e com as nuvens negras no horizonte. Nesta idade, os lobos mais novos aventuram-se fora do covil e desenvolvem actos de socialização. O estudo do CIBIO no Alto Minho permitiu concluir que as alcateias são fiéis aos mesmos locais de cria, desde que não existam perturbações.

Com o século XXI, novos desafios colocam-se à conservação do lobo, uma vez que a intervenção humana na paisagem do Alto Minho provoca um maior desenvolvimento de grandes infra-estruturas e substitui a actividade agropecuária tradicional que a caracterizou durante séculos. Perante este cenário, vários resultados obtidos no projecto possuem implicações na conservação do lobo: a detecção de elevadas taxas de mortalidade por causas humanas (cerca de 45% do efectivo anual); a reduzida dimensão dos territórios das alcateias; a elevada fidelidade das alcateias aos locais de reprodução desde que não sejam alvo de perturbações do habitat na sua envolvente; e a ausência de evidências de movimentos de indivíduos para outros núcleos populacionais, reflectindo uma dinâmica fechada no núcleo do Alto Minho. Trata-se de um núcleo constituído por seis alcateias que depende maioritariamente de apenas duas (as mais centrais e estáveis), que são a fonte de indivíduos para as alcateias periféricas. Estas alcateias periféricas são caracterizadas por grande fragilidade e sujeitas a um frequente processo de extinção-recolonização. 
Voltamos à literatura. Em “Portugal Pequenino”, escrito por Maria Angelina e Raul Brandão em 1930, o lobo é descrito como uma das mais extraordinárias expressões da serra e uma personagem indispensável na vida selvagem portuguesa. Assim o seja por muito mais tempo. 

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