O fascínio das orquídeas de Portugal

Parecem flores exóticas oriundas de paraísos tropicais distantes, mas, na verdade, crescem nas nossas montanhas, bosques e planaltos. A lente atenta de dois fotógrafos oferece uma nova perspectiva sobre a flora exuberante, próxima, mas pouco conhecida da Península Ibérica.

Texto Eva van den Berg   Fotografia Alberto Sobrino e Jorge Francisco Garrido/ASA

 

Orchis militaris Altura: de 20 a 40cm, Floração: de Abril a Julho.

Em 2011, a botânica Mónica Moura, da Universidade dos Açores, estudava a floresta da laurissilva nas encostas da ilha de São Jorge, em busca de orquídeas-borboleta, grupo representado por duas espécies endémicas nos Açores. De súbito, encontrou uma planta que não correspondia a este grupo: as flores eram demasiado grandes. Com emoção, suspeitou que encontrara uma nova espécie. Na verdade, viria a deslindar um enigma antigo. 
Na década de 1830, o botânico alemão Karl Hochstetter estudara a flora das ilhas açorianas do grupo central e recolhera exemplares de três espécies de orquídeas para o seu herbário. Dessa colecção, consta o único exemplar conhecido de Platanthera azorica, julgada extinta desde então. Até agora. Quando o botânico Richard Bateman, com quem Mónica Moura colaborava, requisitou os exemplares históricos de Hochstetter, a equipa apercebeu-se, depois de testes morfométricos, de que uma das mais raras e vulneráveis espécies de orquídea da Europa ficara esquecida num herbário alemão. Parece improvável, mas as orquídeas continuam a fascinar a ciência.

Ophrys sphegodes Altura: até 50cm, Floração: de Março a Maio.

 Objecto de desejo para muitos horticultores, coleccionadores e botânicos, as orquídeas estão associadas à beleza e ao mistério. Venerada por maias e astecas na América pré-colombiana e pelos chineses desde a Antiguidade, esta curiosa família de plantas cativou também os europeus. No século XVIII, as orquídeas eram um símbolo de estatuto no Velho Continente, razão pela qual muitos coleccionadores, na sua maioria franceses e britânicos, esquadrinharam os bosques do continente americano, onde existe maior variedade nas regiões tropicais e subtropicais, em busca das orquídeas estranhas e desconhecidas. O nome comum deriva do grego orchis, que significa testículo. O nome foi-lhe atribuído pelo botânico grego Teofrasto no século III a.C. Discípulo de Aristóteles e autor do tratado “Sobre as Causas das Plantas”, o sábio baptizou-as assim depois de observar a forma elipsoidal dos pares de tubérculos que muitas orquídeas terrestres apresentam na sua expressão subterrânea. 

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