Erradicar os preconceitos e os abusos contra os albinos

As modelos com albinismo são populares no mundo da moda. No entanto, em todo o mundo, os indivíduos com albinismo são ridicularizados, têm problemas de saúde e sofrem ataques selvagens.

Texto Susan Ager   Fotografia Stephanie Sinclair

 

Diandra Forrest foi a primeira mulher com albinismo contratada por uma agência de modelos. A singularidade da sua pele, cabelo e olhos fazem parte do seu encanto. À semelhança de muitas outras pessoas com albinismo, foi ridicularizada na infância. Tem aproveitado a sua fama para celebrar o albinismo e combater o preconceito e o assédio. 

Um rapaz pálido de uniforme inclina timidamente a cabeça e as lágrimas começam a deslizar-lhe rosto abaixo. Está a contar de novo a sua história aterradora.
Emmanuel Festo, de 15 anos, passou grande parte da sua vida aprendendo a viver com a perda que sofreu aos 6 anos de idade. Quatro homens armados com catanas cortaram-lhe quase todo o braço esquerdo, a maior parte dos dedos da mão direita, parte do maxilar e quatro dentes da frente, com o intuito de vendê-los. Emma, como lhe chamam, é hoje um aluno de excelência num colégio interno privado. Embora gagueje, é saudável, forte e tem amigos. É também um artista: desenha jogadores de futebol e o Homem-Aranha. Para mim, desenhou de memória um mapa pormenorizado do seu país, utilizando a bochecha, o queixo e o ombro para conduzir os marcadores. 

Tem a pele branca como marfim, o cabelo rapado à escovinha cor de laranja pálido e a visão fraca.

Emma nasceu com albinismo, uma característica recessiva que herdou dos pais de pele escura. Tem a pele branca como marfim, o cabelo rapado à escovinha cor de laranja pálido e a visão fraca. Há muito que as pessoas como ele são temidas e escarnecidas na África Austral, até pelos próprios familiares. Agora, são mesmo atacadas. Alguns feiticeiros defendem que partes dos seus corpos, transformadas em poções, pós ou amuletos, podem proporcionar riqueza e sucesso. 
Relatos pormenorizados e horripilantes são preservados pela Under the Same Sun, organização sem fins lucrativos que combate a discriminação contra as pessoas com albinismo. Desde a década de 1990, em 27 países africanos, pelo menos 190 pessoas foram assassinadas e 300 sofreram ataques, na sua maioria desde 2008. O epicentro desta vaga de crimes, na qual se inclui o saque de sepulturas, é a Tanzânia. 

Num templo hinduísta perto de sua casa em Nova Deli, na Índia, três gerações de uma família com albinismo posam para um raro retrato de família. Quando duas pessoas com albinismo têm filhos, as crianças são todas albinas. Rose Turai Pullan (na fila da frente) e a sua mulher, Mani (ao centro), posam com os seis filhos, o genro (fila de trás, segundo a contar da esquerda), e o seu único neto, Dharamraj Mariappan Devendra.

Há quase uma década, quando estes ataques suscitaram pela primeira vez a atenção internacional, as autoridades públicas tanzanianas reuniram muitas crianças com albinismo e, para sua segurança, enviaram-nas para escolas rudimentares destinadas a crianças cegas e portadoras de outras deficiências. Muitas continuam a viver lá. Até 2012, Emma partilhou um beliche com mais três rapazes num destes centros estatais. 
Emma diz-me que gosta muito da sua escola nova perto de Mwanza, onde lhe deram uma cama só para ele. Quando lhe pergunto o que o preocupa hoje, ele responde que os outros rapazes fazem troça dos seus dentes partidos. Depois, faz uma confissão simples e confrangedora: “[Preocupa-me] Ir à casa de banho. O meu amigo ajuda-me, mas por vezes não me dá papel higiénico ou só me dá um pedacinho, que não me chega.”

Descubra uma nova visão do mundo!

Assine a National Geographic.

Pesquisar