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Uma bolsa da National Geographic financiou trabalho de campo com as orcas da Islândia. No centro do projecto, está uma investigadora portuguesa, que tem impulsionado o conhecimento sobre estes mamíferos no Atlântico Norte, identificando capacidades de comunicação desconhecidas.

 Texto Gonçalo Pereira Rosa 

Proximidade da costa - Uma das vantagens da Islândia como local de investigação é a facilidade de avistamento, documentada por imagens como esta. Em fundo, a vila de Grundarfjörður, na costa ocidental. Fotografia Sara Tavares e Julie Béesau.

Há dias em que parece não valer a pena. Este pensamento não sai da mente dos dez ocupantes das duas pequenas embarcações de pouco menos de seis metros que navegam nas águas perto de Vestmannaeyjar. Para a maioria dos residentes no hemisfério norte, este dia 2 de Agosto é um dia de sol e praia – o Verão está no auge. Na Islândia, a caminho do arquipélago onde normalmente decorrem os trabalhos de campo nesta estação do ano, ninguém imagina espreguiçadeiras nem banhos de mar. 
A equipa acordou como de costume, depois de estudada a previsão de tempo na véspera. Os investigadores tomaram o pequeno-almoço no seu pequeno, mas cómodo, porto de abrigo, um local privilegiado para o trabalho que têm em mãos. A maioria dos biólogos que estuda orcas no planeta tem de navegar durante horas até encontrar estes mamíferos marinhos. Na costa meridional da Islândia (onde decorrem os trabalhos de Verão) ou na península de Snaelfellsnes (onde a equipa opera no Inverno), a questão é facilitada. Da própria janela da habitação, avistam-se as tradicionais barbatanas dorsais. Ninguém sabe onde as orcas passam as noites, mas, na maioria dos dias, elas reúnem-se nas águas abrigadas dos fiordes. Por isso, a investigação é facilitada. Na maioria dos dias…

Ninguém sabe onde as orcas passam as noites, mas, na maioria dos dias, elas reúnem-se nas águas abrigadas dos fiordes.

Hoje, porém, não é um desses dias. O frio e o vento cortam a atmosfera, sacudindo a embarcação e gelando os ocupantes até aos ossos. Nestas condições, os vários métodos de investigação à disposição da equipa e que a tornam pioneira no estudo destes animais são relegados. Há condições apenas para fazer foto-identificação, ou seja, captar fotografias do maior número possível de animais e cruzar essas imagens com as fotografias de referência de animais já conhecidos.
Mesmo essa tarefa parece impossível nestas águas revoltas. Há sempre uma onda gigantesca entre o barco e a orca. A equipa procura não perturbar as orcas e, ao mesmo tempo, não sucumbir à agitação das águas. 
Para complicar mais o dia, cai uma neblina cerrada sobre a orla marítima. Vê-se pouco mais de uma dezena de metros à frente de cada embarcação.

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