A luta contra um oleoduto inspirou um novo tipo de activismo para o indigenato.

Texto Saul Elbein   Fotografia Erika Larsen

Um sinal em Oceti Sakowin, um dos acampamentos de Standing Rock, mostra as distâncias entre tribos de todo o mundo.

 Em Agosto de 2016, quando as manifestações contra o Oleoduto da Dakota Access começaram a ganhar força, Lewis Grassrope, representante dos lower brule sioux, juntou-se ao movimento de Standing Rock e montou um tipi na planície do estado de Dakota do Norte. “Não havia ali nada para além de capim alto até perder de vista”, lembrou Lewis. “E aranhas com fartura! Eu rezava com elas e nomeava-as minhas protectoras.”

"Estamos a construir alicerces para o que aí vem", explica Krystal Two Bulls, membro dos cheyenne do Norte e dos lakota oglala.

Todos os dias, durante o Verão, desfiles de indivíduos com trajes tradicionais visitavam os acampamentos montados em redor de Cannon Ball, empenhados em apoiar um movimento que se transformara em algo mais do que um protesto contra um oleoduto: era um apelo internacional para a protecção dos direitos dos povos autóctones e dos seus territórios.
O primeiro nevão do Inverno caiu logo depois de uma vitória pírrica: o corpo de engenharia do exército indeferiu o requerimento da empresa Dakota Access para realizar perfurações sob o lago Oahe. O acampamento foi levantado e o número de pessoas presentes diminuiu de dez mil para mil.

Sara Jumping Eagle, pediatra em Standing Rock, com a filha Azilya Iron Eyes (à esquerda) e o filho, Zaniyan Iron Eyes, diz que estamos a usar os nossos filhos como cobaias em experiências sobre os efeitos desconhecidos das fugas de crude dos oleodu-tos, dos desperdícios provocados pela fracturação hidráulica e da poluição dos aquíferos.

Depois, veio o 20 de Janeiro. Poucos dias depois da tomada de posse presidencial, Donald Trump assinou ordens que permitiram dar seguimento à aprovação do oleoduto da Dakota Access, bem como do oleoduto da Keystone XL, ambos parte de um sistema que transportará petróleo do Canadá até ao golfo do México. No início de Fevereiro, o exército concedeudireitos para a passagem do oleoduto sob o Missouri, no lago Oahe.

Em cima, da esquerda para a direita: uma pintura mostra uma serpente negra (símbolo do oleoduto) desmembrada por um “protector da água”. Os povos indígenas “travam a mesma luta em todo o lado”, comenta Eirik Larsen, um sami da Noruega. Two Bulls ergue o punho numa manifestação em Bismarck. Em baixo, pela mesma ordem: “Estamos a unir nações”, diz Susana Sandoval, de Chicago. Lewis Grassrope ajoelha-se diante do seu tipi. George Pletnikoff, Jr., do Alasca, defende que os manifestantes enfrentam lutas semelhantes nas suas terras natais. “Quero organizar um protesto parecido com o de Standing Rock. Podemos ser os anticorpos contra a doença da ganância.”

 

À semelhança de muitos manifestantes, Lewis Grassrope jura manter-se firme na luta em prol dos territórios nativos e da solidariedade tribal. À medida que os activistas continuam a intensificar a campanha de sensibilização e o combate se desloca para o foro judicial, Lewis avalia a campanha do ano passado em Standing Rock como a criação de uma comunidade de activistas convictos e mobilizados para resistir à expansão da economia baseada em combustíveis fósseis dos EUA.

O oleoduto da Dakota Access, que custará 3.500 milhões de euros, acrescentará quase dois mil quilómetros à rede de distribuição de petróleo dos EUA e poderá transportar metade do crude norte-americano até ao mercado. Gráfico: NGM Maps. Fontes: USGS; Autoridade para o Oleoduto do Dakota do Norte; Energy Transfer Partners.

“Standing Rock tornou-se conhecida e todos viram a força do que ali aconteceu”, afirmou. “Agora, a maioria das pessoas que estiveram neste acampamento tem de regressar às suas reservas, levando consigo o que aprendeu, porque a luta vai chegar-lhes também. Chegará a cada uma das quinhentas nações que aqui estiveram representadas: a luta vai tocar a todas.”

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