Ir ao teatro na Grécia Antiga

Na fase áurea de Atenas, milhares de espectadores presenciavam as obras de teatro que exaltavam valores e virtudes ou parodiavam os vícios políticos e morais dos atenienses. Mas começou o teatro na Grécia Antiga?

Texto Óscar Martínez

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Comédia ateniense Neste relevo, o autor ateniense Menandro, do séc. IV a.C., segura uma máscara teatral na presença de uma musa. Cópia romana de um original grego. Museus do Vaticano, Roma.

A palavra grega para “actor” era hypokrites, palavra que significa “o que responde”. É um termo que remete para o momento da fundação do teatro no qual alguns membros do coro se separaram dos restantes e começaram a dirigir-se aos actores de forma recitada. Durante muito tempo, um só actor – sempre masculino, até nos papéis femininos – era mais do que suficiente para representar uma tragédia, já que, graças às máscaras e ao vestuário, podia interpretar diferentes personagens.
Os autores colocavam o peso dramático na interacção entre a personagem e o coro, mas Ésquilo pressentiu as vantagens de colocar em cena duas personagens que dialogavam entre si e naturalmente recorreu a dois actores em cena. Na Oresteia (a única trilogia que se conserva na totalidade), Ésquilo parece ter usado até três actores, número que depressa se estabeleceria como canónico com Sófocles. O próprio Ésquilo actuou nas suas obras.

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Encenação Em cima, cenas do Vaso de Pronomo, que mostra os actores de uma obra satírica. Ao centro, figuram Dioniso e a esposa Ariadne. Museu Arqueológico Nacional, Nápoles. Desenhado por P. Connolly.

Devido à ênfase colocada nos diálogos e nos recursos cómicos que favoreciam a presença de mais de duas ou três personagens no cenário, a comédia podia usar mais actores; em algumas ocasiões, chegaram a ser cinco, à excepção dos kopha prosopa (“personagens mudas”). Tal como os autores, também não parece que os actores a representassem indistintamente em tragédias e comédias, pois deveriam estar especializados num só registo.

O prestígio adquirido pelos intérpretes originou a sua  profissionalização.

Contudo, a importância do actor foi aumentando, até que no ano de 449 a.C. foi instituído um prémio para o melhor actor principal, o protagonistes, na modalidade de tragédia. Em contrapartida, teve de se esperar até ao século IV a.C. até nascer um prémio para os actores cómicos. O prestígio adquirido pelos intérpretes originou a sua progressiva profissionalização e a organização de digressões a todos os pontos da Grécia, gozando de imunidade e actuando em algumas ocasiões como embaixadores.

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