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Uma perspectiva aérea do Parque Natural da Ria Formosa permite avaliar a dimensão desta área protegida e a fragilidade do seu sistema dunar.

Após regressar de uma decepcionante viagem ao Sul de Espanha em busca de um local para estudar estas duas espécies de cavalos-marinhos no seu ecossistema, Janelle aproveitou uma viagem a Portugal para se deslocar a Olhão e confirmar a ocorrência destes peixes na ria Formosa. Rapidamente percebeu que tinha encontrado o local que lhe permitiria dar resposta às falhas no conhecimento sobre as duas espécies.
Durante um período de dois anos, mergulhou na ria, definindo uma grelha de estudo de 5.760 metros quadrados e utilizando técnicas como a marcação de cavalos-marinhos com tinta fluorescente para determinar a sua mobilidade. Colocou também gaiolas in situ para capturar e contar o número de juvenis produzidos por cada macho. Os dados recolhidos foram surpreendentes: estima-se que a população de cavalos-marinhos da ria Formosa ronde os dois milhões de animais, uma densidade superior às maiores comunidades de qualquer espécie de cavalo-marinho anteriormente descobertas em locais como a Austrália, África do Sul e Filipinas. À data desse levantamento, a ria Formosa comportava a maior comunidade de cavalos-marinhos alguma vez estudada a nível mundial.

Os dados recolhidos foram surpreendentes: estima-se que a população de cavalos-marinhos da ria Formosa ronde os dois milhões de animais.

Nos últimos seis anos, os mais de 18 mil hectares de sapal, canais e ilhotas protegidas do oceano Atlântico por ilhas-barreira arenosas, que compõem o sistema lagunar da ria Formosa, têm funcionado como um “laboratório vivo”, permitindo realizar os primeiros estudos sobre reprodução, sobrevivência, crescimento e movimento das únicas duas espécies de cavalos-marinhos do Mediterrâneo e do Atlântico. O projecto já conta com um membro efectivo da organização em Portugal, o doutorando do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve, Miguel Correia, que tem dado continuidade ao trabalho de investigação iniciado por Janelle Curtis. 
Embora a espécie H. guttulatus, que pode medir mais de 20cm, seja dez vezes mais abundante do que o pequeno H. hippocampus, apenas olhos experientes conseguem distingui-las. Miguel Correia é um desses peritos. “O segredo está na forma da sua cabeça”, explica. Apesar de a cor variar entre o castanho, o amarelo, o verde e o vermelho, eles possuem ainda a capacidade de adaptar o seu tom ao do meio circundante. Os machos tornam-se muitas vezes quase brancos na altura da reprodução, época em que podem ser vistos a nadar lado a lado com a cauda entrelaçada com a da fêmea. 

Os investigadores procuram averiguar as causas para o declínio das populações de cavalos-marinhos, propondo medidas que permitam a recuperação da população para valores verificados no passado recente. 

Durante um mergulho, consegue-se regularmente encontrar entre 15 e 20 cavalos-marinhos: os mais abundantes, H. Guttulatus, geralmente dissimulados em zonas de algas com as suas caudas enroladas em zosteras, e os pequenos H. Hippocampus, mais comuns, em zonas abertas de fundo misto de areia e conchas. No entanto, há nuvens no horizonte. De acordo com Miguel Correia, “apesar da abundância de animais, estamos perante uma quebra muito significativa da população de ambas as espécies desde a descoberta de Janelle Curtis em 2001-2002”. Nos últimos dois anos, Miguel Correia e Iain Caldwell, outro investigador do projecto, revisitaram os mesmos locais e aplicaram os mesmos métodos para averiguar a evolução da população de cavalos-marinhos. Desta vez, os resultados não foram tão animadores: a população da espécie H. guttulatus sofreu uma quebra de 85% e a de H. hippocampus 56%.

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