Macacos-negros, entre iguaria e animais de estimação na Indonésia

Na ilha indonésia de Celebes, o Macaca nigra é muito apetecido. É objecto de caça e há muitos casos de domesticação forçada. Entretanto, o seu habitat vai desaparecendo. Será possível salvá-lo?

Texto Jennifer S. Holland   Fotografia Stefano Unterthiner

Um Macaca nigra descansa na praia de uma reserva natural de Celebes. O estudo destes intrigantes macacos, conhecidos localmente como yakis, permite aos cientistas descobrir relações entre a sua estrutura social e o comportamento humano.

Se não fosse um macaco atrevido chamado Naruto, que roubou a máquina de um fotógrafo num parque indonésio e tirou uma selfie, o Macaca nigra continuaria a elanguescer na obscuridade. 
A fotografia tornou-se viral e a espécie ganhou, subitamente, milhões de fãs na Internet, no mesmo instante em que o União Internacional para a Conservação de Natureza, que define o estatuto de conservação de cada espécie, desenvolvia esforços no sentido de a incluir na lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo.
A fama de Naruto não lhe granjeou créditos adicionais entre os seus congéneres das florestas confinadas da Reserva Natural de Tangkoko-Batuangus-Duasaudara, junto de Bitung. 

O M. nigra, conhecido localmente como yaki, é uma de sete espécies de macacos diferentes que evoluíram na Celebes, uma ilha indonésia com quatro penínsulas.

“É ele”, disse a primatóloga Antje Engelhardt, da Universidade John Moores, em Inglaterra. Ela apontou para um macaco do tamanho de um beagle debruçado sobre si mesmo, coçando-se. Naquele instante, um macho chamado Alex aproximou-se de Naruto por trás e montou-o.
“Viu aquilo?”, perguntou Antje, rindo-se e explicando que Alex estava a tentar evitar problemas. Charlie, o macho alfa do grupo, acabara de pegar num figo que Alex pretendia comer. “Em vez de arriscar uma luta com o Charlie, o Alex descarregou as suas frustrações demonstrando a sua força sobre um animal de estatuto inferior”, explicou a especialista.
Afinal, a fama não serve para nada aqui.

Durante o dia, estes sociáveis macacos caminham pela floresta da Reserva Natural de Tangkoko, comem, catam-se e vêem o tempo passar. Quando se afastam do grupo, os indivíduos usam vocalizações para se manterem em contacto.

No âmbito do Projecto Macaca Nigra, Antje e um grupo de alunos estudam o comportamento e a biologia dos macacos há mais de uma década. O M. nigra, conhecido localmente como yaki, é uma de sete espécies de macacos diferentes que evoluíram na Celebes, uma ilha indonésia com quatro penínsulas.
Nos últimos anos, estes macacos ameaçados têm sofrido reveses. São caçados com frequência, pois a sua carne é cobiçada. Há quem os  capture como animais de estimação. E, acima de tudo, a sua distribuição está agora restrita a áreas cada vez mais pequenas devido ao abate ilegal de árvores para plantações de coqueiros e hortas. Entretanto, os conservacionistas lutam contra planos que pretendem abater florestas, abrindo espaço para mais estradas e novas indústrias.

Selfie de Naruto, Junho de 2011. Fotografia David J. Slater.

Censos em 2009 e 2010 sugerem a existência de cerca de dois mil yakis na reserva, popularmente designada por Tangkoko. Antje acredita que esses valores diminuíram desde então. Não se sabe quantos vivem noutros locais do Norte. Outra população de macacos vive na ilha de Bacan, a centenas de quilómetros da Celebes, onde terão sido introduzidos em meados do século XIX como oferta ao sultão local.
Os cientistas estão a estudar três grupos principais de yakis em Tangkoko. Chamam ao grupo mais gregário Rambo II: os seus membros, já anteriormente estudados e adorados pelos turistas, eram bastante dóceis quando Antje aqui chegou há uma década. O grupo Rambo I também fora estudado anteriormente, mas há muitos anos.
Já estava habituado à presença humana. O terceiro grupo, Pantai Batu Hitam (ou Praia das Pedras Pretas, devido às praias vulcânicas visitadas pelos animais), é o que se mostra mais cauteloso em relação aos seres humanos.

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