Picos da Europa, um dos parques naturais mais emblemáticos da Europa

 O VALE DE CABRALES

Subindo o rio Güeña por Onís, alcançamos o vale de Cabrales, irrigado pelo rio Cares e também famoso pelo seu queijo. É assim que entramos no maciço Central, ou dos Urrieles, com o totem Naranjo de Bulnes ou Picu Urriellu (2.519m), que adquire um tom alaranjado ao entardecer.
A sua fama provém do desafio que lança aos alpinistas, pois a sua face a oeste é uma parede vertical de quinhentos metros que requer por norma uma ascensão lenta e, com frequência, a pernoita do montanhista em suspensão na parede.

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POVOADOS DA MONTANHA Bulnes, Tresviso e Sotres (na imagem) viveram praticamente isolados até há poucas décadas.

Outro dos mitos da região é o do queijo de Cabrales, produzido com o leite cru de vaca, de ovelha e de cabra, e maturado em cavernas naturais entre dois a seis meses até que adquire os fungos que lhe dão as típicas manchas verdes, assim como a textura amanteigada e o ligeiro sabor picante.

Se continuarmos a subir o curso do rio Cares desde Arenas de Cabrales, ao sexto quilómetro aparece-nos Poncebos. Nesta aldeia, há duas formas de aceder à Peña, nome que os naturais de Cabrales dão ao maciço: através das suas entranhas pela surpreendente garganta do Cares – um caminho de oito quilómetros que percorre o povoado de Caín – ou no funicular de Bulnes que, em sete minutos, conquista 402 metros de desnível sob a terra.

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O CARES Esta garganta separa os maciços Oeste e Central. A rota de ida e volta entre os povoados de Poncebos e Caín dura seis horas.

A subida a bordo do funicular assemelha-se a uma viagem para outra dimensão porque, num instante, encontramo-nos em plena montanha, num núcleo com somente vinte habitantes que até 2001 teve como único acesso o caminho do canal do Tejo. Actualmente, o velho caminho tornou-se um trilho popular de descida até Poncebos que dura perto de duas horas. O desfiladeiro de la Ermida, escavado pelo rio Deva e povoado de pomar, penetra no vale de La Liébana (na Cantábria), principal acesso ao maciço Oriental. Mesmo à entrada do vale, um microclima permite ocasionalmente o cultivo de videiras. Ali ergue-se a igreja moçárabe de Santa María de Lebeña, com três naves, arcos em ferradura e um teixo sagrado no adro.

Um pouco mais à frente encontramos Potes, cujo emblema é a Torre do Infantado (do século XV). Este povoado é o melhor local para adquirir os queijos defumados de Aliva, os de Lebeña e o queijo de Tresviso e também para provar o bagaço local e o cozido de Lebeña.

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POTES Com as suas casas suspensas sobre o rio Deva, esta localidade é uma excelente base para conhecer Liébana.

Três quilómetros depois, ergue-se o mosteiro de Santo Toribio. Para além da memória do abade Beato de Liébana, autor da obra “Comentarios al Apocalipsis”, um best-seller que não faltava nas melhores bibliotecas medievais, guarda a relíquia do fragmento da cruz de Cristo. Considera-se ali Ano Santo sempre que a festa do padroeiro, no dia 16 de Abril, coincide com um domingo.
Fuente Dé, local onde nasce o rio Deva, volta a devolver-nos à montanha. Daqui parte um teleférico que, em 1966, deixou de transportar minério e foi reconfigurado para deleite dos turistas que daqui ascendem ao miradouro de Cabel, a 1.834 metros. A extraordinária panorâmica só pode ser comparada com a que é oferecida pelos miradouros do Corzo e do Oso, já na província de Leão. 

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NARANJO DE BULNES É o emblema do parque. A sua silhueta singular avista-se nos trilhos do maciço Central.

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