Ao longo dos seus dois mandatos, o presidente norte-americano Barack Obama protegeu mais áreas marinhas que qualquer outro presidente dos Estados Unidos, mas a luta pela preservação destes santuários está apenas a começar.

Texto Craig Welch   Fotografia Brian Skerry

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"Para um homem com uma agenda preenchida ao segundo, um mergulho no oceano deve ser maravilhoso", disse Brian Skerry. O fotógrafo espera que esta imagem de Barack Obama, a mergulhar nas águas das ilhas de Midway, chame a atenção para os esforços de conservação do oceano.

O homem que protegeu mais áreas marinhas do que qualquer outra pessoa na história sente-se à vontade no próprio mar. Conseguimos intuí-lo de imediato. Em Setembro, poucos meses antes de deixar a Casa Branca, Barack Obama mergulhou no oceano Pacífico, envergando apenas barbatanas, calções de banho, uma máscara e um tubo respirador. O sol brilhava nas ilhas de Midway, um pedaço de coral isolado, a meia distância entre a Califórnia e a China. Um arco-íris de cores proveniente dos corais de baixa profundidade tremeluzia na água transparente.

Obama atribuiu a sua calma à circunstância de ter nascido no Hawai e de “saber como é saltar para o mar e conhecer o significado de ver uma tartaruga-marinha numa onda.”

Obama chegara nessa manhã à ilha Sand para apresentar o Monumento Marinho Nacional de Papahānaumokuākea, que a sua administração acabara de transformar na maior área protegida do mundo, até à data: uma extensão de mar com mais do dobro do tamanho de França. Antes do seu mergulho, enquanto caranguejos-fantasma corriam pela areia, Obama falou sobre o fascínio que o mundo marinho exerce sobre si. Atribuiu a sua calma à circunstância de ter nascido no Hawai e de “saber como é saltar para o mar e conhecer o significado de ver uma tartaruga-marinha numa onda”. Depois, Obama quis voltar para o mar, naquele preciso local. Brian Skerry, fotógrafo da National Geographic, foi convidado a acompanhá-lo.

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Uma tartaruga-de-couro deixa a praia onde pôs os ovos no refúgio Nacional de Vida Selvagem de Sandy Point, a 35 quilómetros da ilha Buck. As áreas protegidas têm contribuído para o aumento do número de crias de tartaruga-de-couro e de outras espécies de tartaruga.

Partiram em barcos e amarraram-nos depois a uma bóia posicionada sobre uma mancha de coral roxo. As ilhas de Midway são mágicas, mas não prístinas. Mais de cinco mil pessoas encheram os seus seis quilómetros quadrados durante a Segunda Guerra Mundial. Dragaram recifes para permitir a passagem de submarinos e revestiram-nos de minas. Actualmente, uma espécie de insecto invasor (Protaetia pryeri) passeia-se entre pinheitos não-nativos plantados para servirem de corta-vento há um século por operários que instalavam cabos telegráficos.

As ilhas de Midway são mágicas, mas não prístinas.

E, no entanto, além de selvagem, Midway parece primitiva, albergando três milhões de aves, a maior colónia de albatrozes do mundo, tartarugas-marinhas, golfinhos-rotadores e espécies raras de patos.
Obama entrou num mar de águas baixas, nadando com peixes-borboleta amarelos e bodiões. Os pepinos-do-mar assumiam uma posição vertical no leito marinho porque tinham desovado há pouco.

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Um boca-negra é uma das muitas espécies que vivem dentro e em redor do Monumento Marinho Nacional do Desfiladeiro e Montes Submarinos do Nordeste, área protegida criada por Barack Obama no Outono de 2016.

Focas-monge aproveitavam o sol. Por vezes, o presidente punha-se de pé na areia para fazer perguntas a Brian e ao guia. Noutras ocasiões, nadava sozinho, investigando lentamente a vida que avistava.
Obama percebe o encanto dos lugares selvagens. Quando se sentia restringido pelo seu cargo, falava nostalgicamente sobre um predecessor conhecido pelos seus esforços na área da conservação. “Teddy Roosevelt passava um mês seguido no Parque Nacional de Yellowstone e ninguém sabia onde ele estava”, disse um dia Obama. Foi Roosevelt, amante do ar livre, que promulgou a Lei das Antiguidades em 1906 e a utilizou para proteger o Grande Canyon e outros locais majestosos, alguns dos quais vieram a ser parques nacionais. Com o Congresso paralisado e os oceanos pressionados pela sobrepesca, pela poluição e pelas alterações climáticas, Obama recorreu à mesma autoridade executiva.

Obama percebe o encanto dos lugares selvagens.

Semanas mais tarde, numa conferência sobre oceanos, Obama ainda parecia hipnotizado pelo Pacífico. Referiu-se ao seu mergulho como uma prova da resiliência dos mares. “Eu vi”, disse Obama. “Estava mesmo ali a prova do espantoso poder da natureza para se reconstruir quando não estamos constantemente a tentar destruí-la.” 

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