Há 129 anos a inspirar a exploração: eis alguns dos grandes pioneiros

Há 129 anos que a National Geographic Society financia pioneiros que utilizam a ciência, a exploração e a reportagem para mudar o mundo. Criados em 1976, os prémios Rolex for Enterprise asseguraram um caminho paralelo, identificando e apoiando pioneiros notáveis que trabalham para melhorar vidas, proteger o planeta e impulsionar o conhecimento humano. Nas páginas seguintes, apresentamos alguns vencedores recentes, personalidades inspiradoras que se diferenciaram pela sua visão e pelos feitos alcançados e outros exploradores da National Geographic. 

No lago Sukok, no Alasca, o astrobiólogo Kevin Hand testa um veículo desenvolvido para um dia se movimentar por baixo do gelo da lua de Júpiter, Europa. Fotografia Mark Thiessen.

  AULAS SAÍDAS DO NADA

Kakenya Ntaiya

Kakenya Ntaiya estuda à luz de um candeeiro de petróleo com alunas no Centro de Excelência Kakenya. A educadora criou o internato rural queniano em 2009 com o intuito de melhorar a vida das raparigas elevando o seu nível de escolaridade. As primeiras 26 alunas terminarão o ensino secundário em 2017. Fotografia Philip Scott Andrews.  

A vida de Kakenya Ntaiya foi planeada numa idade ainda precoce, como é habitual com muitas meninas quenianas: um compromisso preestabelecido aos 5 anos, seguido de mutilação genital aos 14, que marcaria o fim da sua educação formal e abria caminho ao casamento. Kakenya, todavia, convenceu a família e a sua aldeia de Enoosaen a deixá-la partir para prosseguir os estudos.
Após terminar o doutoramento em Educação, a jovem decidiu “devolver” o que recebera. Desde Maio de 2009, ano em que inaugurou o Centro de Excelência Kakenya, um internato para meninas do ensino básico em Enoosaen, quase 280 raparigas já o frequentaram. As meninas estudaram e são encorajadas a quebrar o ciclo de práticas culturais que incluem a mutilação genital feminina e o casamento infantil forçado. As primeiras 26 raparigas terminarão o ensino secundário em 2017.
“Todos os anos temos mais de duzentas meninas a querer entrar para a escola e só podemos aceitar 40. Isso é frustrante”, comenta esta exploradora emergente da National Geographic. Kakenya Ntaiya espera conseguir angariar cinco milhões de dólares que permitirão expandir a escola e aumentar o número de inscrições para 600 raparigas até 2021.

 PRESERVAÇÃO DE UMA CAPITAL MILENÁRIA

Talal Akasheh

Fotografia Marc Latzel, Prémios Rolex.

Talal Akasheh, de 69 anos, dedicou metade da sua vida a proteger a cidade jordana de Petra contra a devastação da natureza e da negligência. Numa idade em que muitos dos seus pares já se reformaram, Talal mantém os seus esforços para preservar aquela que em tempos foi uma próspera capital comercial.
Premiado pela Rolex em 2008, Talal, formado em química, cartografou e analisou quase três mil elementos arqueológicos esculpidos no arenito e criou uma base de dados de pesquisa sobre Petra. Utilizou fotogrametria durante três anos para avaliar a estabilidade das rochas de Siq, a entrada principal de Petra. Em 2015, completou o plano de conservação para a antiga cidade.
Ainda há tempo para se conservar o que se mantém de pé para os estudiosos, turistas e posteridade. No entanto, se algumas estruturas colapsarem, a base de dados construída por Talal pode fornecer elementos que ajudarão a perceber o monumento original.

 BUSCA DE VIDA NUMA LUA DISTANTE

Kevin Hand

O explorador veterano Lonnie Dupre está familiarizado com longas noites nas condições severas do Árctico. A subida a solo do Denali no Alasca no mês de Janeiro só foi bem- -sucedida depois de ter conseguido sobreviver a uma devastadora tempestade quando se encontrava a mais de 3.400 metros de altitude. Fotografia Lonnie Dupre.

A busca de vida noutros planetas tem intrigado os cientistas há décadas. A pesquisa do astrobiólogo Kevin Hand poderá estar completa em menos de 15 anos.
Kevin foi jurado dos Prémios Rolex de 2014 e explorador emergente da National Geographic em 2011. Enquanto cientista-adjunto de projecto no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, supervisiona o desenvolvimento de um conceito para uma sonda que explorará a lua de Júpiter, a Europa. A sua pesquisa levou-o a cenários extremos como os fundos oceânicos e os glaciares dos pólos, onde pode estudar a vida em ambientes extremos. Kevin acredita que, com sorte, uma sonda pode pousar na superfície de Europa até 2030.

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