Caño Cristales, um rio que fugiu do Paraíso

No centro da Colômbia, o rio Caño Cristales exibe os seus mais belos dotes cromáticos graças a uma singular planta aquática que pinta de fúcsia as suas águas transparentes.

Texto Eva van den Berg   Fotografia Olivier Grunewald

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Foi o jornalista e ecologista colombiano Andrés Hurtado García quem deu esta alcunha a Caño Cristales e é assim que o mundo o conhece porque a região parece de facto um manancial surgido do próprio Éden.

Vermelho, amarelo, negro, azul. Caño Cristales exibe uma verdadeira paleta de cores no seu serpenteante percurso através de um sítio excepcional: o Parque Nacional Natural da Serra da Macarena. Este território, incluído na divisão administrativa de Meta, no centro da Colômbia, recupera agora a calma depois de vários anos marcados por conflitos armados que o mantiveram inacessível ao público até à sua reabertura, há apenas quatro anos.

Este território  recupera agora a calma depois de vários anos marcados por conflitos armados.

Na verdade, esta narrativa começou em meados do século passado, quando milhares de camponeses aqui se fixaram depois de serem violentamente expulsos da sua terra natal. Iniciou-se então uma corrida à terra que acabou por degenerar numa guerra entre forças governamentais, grupos paramilitares e traficantes de droga que se prolongaria durante décadas. Mesmo assim, o parque abriu novamente as suas portas e fê-lo com a intenção de se converter num dos destinos ecoturísticos mais importantes da Colômbia.

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As quedas de água são alguns dos belos acidentes geográficos oferecidos por Caño Cristales no seu breve curso. Sobre o leito acolchoado de Macarenia clavigera, a água flui, percorrendo a estranha orografia.

Esta terra, através da qual corre Caño Cristales, é única, tanto pela sua biodiversidade e pelo elevado número de endemismos que alberga como por ser um dos locais com mais antiga história geológica do planeta. Encavalitado entre o Piedemonte andino e a selva amazónica, esta serrania, 150 quilómetros a sul de Bogotá, teve origem há 1.200 milhões de anos. Faz parte do planalto das Guianas, uma enorme formação rochosa que se estende através da Colômbia, Venezuela, Brasil, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, considerada uma das mais antigas superfícies da Terra. É também uma das mais ricas em biodiversidade: encontram-se nesta extensa região 25% das florestas tropicais e 15% da água doce do planeta.

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Caño Cristales nasce perto dos tepuis mais antigos da serra da Macarena. Outros ribeiros, como o Indio, o Canoas e o Yarumales, fluem na região, mas nenhum iguala as impressionantes tonalidades deste.

Nesta serra salpicada de planaltos abruptos, os tepuis, de fachadas a pique e cumes planos, existe uma enorme quantidade de abrigos inexplorados recheados de pinturas rupestres. Caño Cristales é igualmente conhecida por outras denominações mais poéticas, como “o rio das cinco cores” ou “o rio que fugiu do Paraíso”. Pouco importa que, durante a maior parte do ano, seja apenas um córrego de água que desce entre os recortes das rochas e as quedas de água com mais ou menos força dependendo das chuvas dominantes. Aquilo que torna este caño (denominação local para os rios de breve curso) diferente e singular é que, durante cerca de três meses por ano, proporciona uma autêntica explosão cromática.

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