Testes nucleares ajudam a descobrir o ciclo de vida das tartarugas

 Meio século depois da realização de testes nucleares no Pacífico, o material radioactivo resultante ajudou os investigadores a perceber o ciclo de vida das tartarugas-de-pente, uma espécie em vias de extinção. 

Texto Nina Strochlic   Fotografia Joel Sartore, arca fotográfica da National Geographic, captada no hospital e jardim zoológico da Austrália; Bettmann/Getty Images

Valorizados pelas suas carapaças, estes animais estão a desaparecer. Nos recife de coral do Hawai, restam apenas algumas centenas de adultos e os ambientalistas têm-se esforçado para estudar a esquiva população e as suas características reprodutoras. O biólogo Kyle Van Houtan dirigia um programa de monitorização de tartarugas quando percebeu que os resíduos dos testes nucleares poderiam fornecer pistas cruciais. Os recifes de coral formam uma camada por ano, à semelhança das árvores e dos seus anéis. Kyle usou-os como páginas de um calendário. Medindo o carbono radioactivo no coral e comparando-o com os níveis nas carapaças das tartarugas, conseguiu determinar o ano em que cada indivíduo nasceu, o seu ritmo de crescimento e a idade de maturidade sexual.

As carapaças das tartarugas-de-pente de algumas regiões do Pacífico têm resíduos nucleares. Fotografia Getty Images.

Concluiu que as tartarugas começam a reproduzir-se aos 28,6 anos, cerca de duas vezes mais tarde do que as populações das Caraíbas. Kyle acredita que as tartarugas se tornaram herbívoras devido à redução de fontes de alimento e acredita que isto é uma reviravolta ambiental sinistra: “As tartarugas marinhas são indicadores da saúde do ecossistema”, diz.

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