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As salamandras de costelas salientes nadam entre as macieiras e os carvalhos para poderem respirar à superfície.

Texto e fotografias: Luís Quinta 

Em anos de precipitação elevada no Inverno, quando os vários rios subterrâneos das serras de Aire e Candeeiros excedem o seu caudal, a água sai por diversas exsurgências e cria-se uma lagoa na depressão cársica Mira de Aire-Minde. Conhecido como mar de Minde, este fenómeno temporal ocorre no polje de Minde durante poucas semanas de cada ano e há invernos em que não chega a formar-se.

Quando a precipitação diminui, o lago desaparece, pois a água escoa-se por diversos sumidouros. Para o biólogo Rui Rebelo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a posterior fase de seca é especialmente vantajosa para os anfíbios. “Os anos de seca matam todos os peixes de água doce, assim como outros grandes predadores como o lagostim-americano, libertando as posturas e as diversas formas larvares das principais ameaças nos anos seguintes”, diz. “Por isso, estas serras são um local importante para a conservação dos anfíbios de Portugal.”

Na fase de enchente, pomares, vinhas, olivais ou montado ficam submersos. Em poucos dias, cresce vegetação  subaquática e grandes limos cobrem as árvores submersas.

A alimentação para inúmeros animais é hiperabundante. Para Rui Rebelo, a biodiversidade ali contida “é um sinal da boa qualidade de água que chega ao polje”.
Em 2001, a água atingiu cotas muito elevadas, só comparáveis com os níveis de 1936. O polje de Minde foi incluído, em 2 de Dezembro de 2005, na Lista das Zonas Húmidas de Importância Internacional no âmbito da Convenção de Ramsar. 

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