carpas

“Criar uma carpa é como pintar um quadro. Só que em vez do pincel, eu uso a genética”, diz José Elvas.

O cenário é o Koi Park, em Almada, um aquário onde se criam 150 mil peixes por ano – alguns para venda, outros por carolice deste naturalista obstinado pela criação de peixes e provavelmente o maior criador de carpas em Portugal. O Koi Park é uma loja, mas é também um museu vivo. Nos seus aquários, vendem-se peixes quase a contragosto.

Por vontade do criador, talvez não se vendesse nenhum e todo o espaço fosse um circuito pedagógico. As carpas são a sua obsessão. Começou em 1973, por tentativa e erro, aprendendo as regras da genética experimental, documentando-se e cruzando carpas em busca do peixe perfeito.

Elemento essencial dos jardins ornamentais japoneses, a carpa movimenta um mercado milionário no Oriente, cioso da harmonia transmitida por estes peixes e respeitoso de uma tradição de séculos que visa aprimorar os padrões cromáticos dos animais. “Os europeus levam um atraso considerável face aos criadores japoneses, que acumulam experiência e património genético”, explica José Elvas, que pontualmente participa em certames internacionais sobre este peixe. “Uma carpa que replique o padrão da bandeira japonesa, por exemplo, é um peixe que pode facilmente valer milhares de euros”, acrescenta. Mas é também uma improbabilidade estatística e uma obsessão. “Qualquer dia crescem-me guelras de tanto tentar”, brinca.

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