sapo

Este sapo foi fotografado no Museu de Zoologia de Vertebrados da Universidade da Califórnia.

O Anaxyrus canorus pode acasalar que nem um louco durante duas semanas todos os anos. Esse frenesi ocorre apenas no final da Primavera e apenas em prados húmidos, em altitudes superiores a 1.500 metros, na Serra Nevada, na Califórnia (EUA). O macho aguarda numa poça, emitindo um som vibratório. Atraída pela vocalização de acasalamento (canorus, aliás, significa “melodioso”), a fêmea entra na água e submete-se aos seus avanços… se a “piscina” for adequada. Os sapos têm especificações rigorosas para o local onde se reproduzem e onde depositam os ovos, confirma Christina Liang, ecologista do Serviço Florestal dos EUA.

Durante seis anos, Christina e os colegas monitorizaram 143 piscinas em 19 prados distribuídos pelo território desta espécie. Os sapos procuram poças que possam sustentar vida a partir da Primavera quando os ovos são depositados e até ao final do Verão quando os girinos eclodem. Ao identificarem as poças ocupadas, os investigadores descobriram que as diferenças de condições entre elas eram, por vezes, quase ínfimas. Os sapos escolheram poças mais amplas, com mais área, com água mais quente (uma temperatura média de 21,7°C a 24,8°C) e maior profundidade, embora essa profundidade tivesse apenas o diâmetro equivalente a um lápis de carvão.

Para acasalar, o macho “agarra-se” às costas da fêmea, embora “ela tenha a palavra final” sobre onde depositar os ovos e possa deslocar-se com ele às costas até ter escolhido esse local, explica a bióloga. Assim que liberta os ovos e depois de o macho os fertilizar, a fêmea vai-se embora.
O macho volta a emitir a vocalização amorosa.  

 

O Anaxyrus canorus está classificado como ameaçado e os seus efectivos estão em quebra.
Os cientistas acreditam que a quitridiomicose anfíbia é uma das responsáveis por esse declínio, mas as alterações climáticas também podem contribuir para que algumas poças sequem antes de os girinos amadurecerem. A espécie “está no fio da navalha”, diz Christina. “Pequenas mudanças nas condições ambientais podem ter efeitos potencialmente graves.”

Descubra uma nova visão do mundo!

Assine a National Geographic.

Pesquisar