lesmas

Estas bonitas lesmas-do-mar australianas, da espécie Siphopteron quadrispinosum, usam simultaneamente os órgãos sexuais masculinos e femininos durante o acasalamento e apresentam um curioso pénis de duas pontas. Através de uma delas, o esperma é transferido de maneira “tradicional”, ou seja, é depositado no tracto genital feminino. 

A outra extremidade, um apêndice semelhante a um estilete, é usada para injectar um fluido prostático na cabeça do parceiro, que, de acordo com os investigadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, “poderia aumentar a capacidade de fertilização do próprio espermatozóide ou inibir o esperma depositado por parceiros sexuais anteriores”, diz Rolanda Lange, co-autora do estudo. 

Este método brutal já fora observado noutros invertebrados. Em 1913, dois entomólogos britânicos, Walter S. Patton e Francis W. Cragg,  referiram que certos animais levavam a cabo uma inseminação traumática inoculando o esperma directamente no sistema sanguíneo através de um ferimento causado por um pénis semelhante a um estilete. No entanto, é a primeira vez que se observa o dardo inserido entre os olhos da consorte. “Devem existir vantagens que compensam o dano corporal que isso acarreta. Ou pelo menos deverão ter existido nas fases iniciais da evolução”, prossegue a especialista. 

Talvez seja assim que o esperma é depositado mais perto dos óvulos do que com o acasalamento normal. De facto, muitos invertebrados (insectos e certos vermes achatados e poliquetas) desenvolveram tácticas similares de acasalamento”. Será necessário continuar a investigar para descobrir que virtudes escondem estes lacerantes pénis multifuncionais.

lesma do mar

Esboço da sequência de acasalamento entre lesmas. Nas fases iniciais da relação sexual, os dois indivíduos aproximam-se e entrelaçam-se. De seguida, dá-se uma cópula recíproca (tal como as lacerações) que termina num emparelhamento unilateral. Ilustração: David Martínez. Fonte: Proceedings Of The Royal Society B: Biological Sciences, 2014

Descrição

As lesmas-do-mar ou opistobrânquios são moluscos gastrópodes marinhos. A Siphopteron quadrispinosum mede cerca de cinco milímetros e regista coloração amarela, laranja e vermelha. 

Habitat

Vive na areia, em profundidades de 6 a 27 metros. Por norma, abriga-se no interior das formações de macroalgas.

Distribuição

Siphopteron quadrispinosum foi descrita no Hawai e na Papua Nova-Guiné. Também está presente nas águas do Japão, Nova Caledónia e no Nordeste da Austrália.

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