diário de um fotografo

É possível ver um lugar a partir de vários ângulos ao mesmo tempo? Sim. Com um pouco de ajuda.

Oito segundos bastam para criar imagens espectaculares dos lugares mais buliçosos do planeta.

Texto: Daniel Stone
Fotografias: Nicolas Ruel

O fotógrafo Nicolas Ruel, por norma, demora oito segundos a criar as suas fotografias de longa exposição. “Oito é o número do infinito”, brinca, referindo-se ao tempo que espera que os leitores consumam na interpretação das maravilhas de sentidos múltiplos por ele captadas em cidades de todo o mundo.

Nicolas começa por locais urbanos repletos de pessoas, energia e movimento. As estações de comboio funcionam bem para o projecto, tal como as igrejas, bibliotecas e estádios. No fundo, qualquer espaço com movimento de pessoas é adequado. Posiciona o seu tripé e faz quatro segundos de exposição numa direcção. Depois, com o obturador ainda aberto, aponta a máquina noutra direcção para nova exposição de quatro segundos. Capta, no fundo, um pequeno documentário de oito segundos.

As longas exposições, por definição, desfocam o movimento, mas também permitem a mistura de duas imagens. A técnica que Nicolas vai aperfeiçoando produz um certo sentido de profundidade, permitindo ao observador manter-se num único local e adquirir a percepção do que está em volta. Os lugares humanos, ao contrário dos espaços selvagens, têm mais apelo para Nicolas. São dramaticamente percepcionados de um segundo para o outro, pois estão em constante mutação. 

Como resultado, a Times Square de Nova Iorque, Oxford Circus, em Londres, dois dos locais mais fotografados do mundo, fervilham de vida através das fotografias de Nicolas com perspectivas ainda inéditas.

Nicolas pretende encontrar novos locais vibrantes na malha urbana. A sua série começou com oito cidades e vai agora em 68. O fotógrafo espera chegar às 100, mas deixa em aberto a possibilidade de a série, tal como as imagens, tornar-se infinita.

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