golfinho Nassau 

Na imagem, Nassau nada com a sua cria Nautilus nas águas das Bahamas. Fotografia de Brian Skerry

Brian Skerry, é um daqueles fotógrafos que acaba por passar mais tempo dentro de água do que fora dela. “Frequentemente, vejo o meu trabalho como uma colecção de momentos vividos no mar. As minhas fotografias de natureza resultam de decisões momentâneas naquele preciso instante em que uma criatura se converte numa confluência de luz, cor, gesto e emoção.”

Em 2014, Brian integrou-se num projecto que pretende documentar em imagens a extraordinária capacidade cognitiva e comunicativa dos golfinhos. Nas Bahamas, contactou com Denise Herzing, a quem alguns apelidam de Jane Gooddall dos oceanos, a bióloga marinha que, no âmbito do Projecto dos Golfinhos Selvagens, estudou o comportamento destes cetáceos em ambiente selvagem nas últimas três décadas.

Denise falou a Brian de Nassau, uma fêmea que fora fotografada por Flip Nicklin (outro fotógrafo profundamente conhecedor dos hábitos anfíbios) e cuja imagem figurou na capa da revista de Setembro de 1992 com a sua mãe Nippy. Pouco depois da publicação, Nassau foi atacada por um tubarão. Tinha dois anos de idade. Perdeu a extremidade da barbatana dorsal, mas sobreviveu e, desde então, foi mãe em cinco ocasiões. Em 2000, nasceu Neptune, a sua primeira cria.

Hoje, Nassau é uma fêmea adulta, sábia e experiente. A sua lesão facilitou a monitorização da equipa de investigadores. Na passada Primavera, por exemplo, foi vista com frequência na companhia de dois dos seus rebentos, as fêmeas Noldus (de 11 anos) e Nereide (de 6). Também mantém uma relação estreita e cordial com a irmã mais nova, Caroh, e o companheiro Mugsy, que por seu turno geraram dois machos, Malachite e Cobalt, que, de vez em quando, brigam com o pequeno Nautilus, a última cria de Nassau.

É natural que esta vida social desperte a nossa simpatia por estas criaturas. Com frequência, “humanizamos” mais os golfinhos do que outras espécies. 
As páginas seguintes mostram até que ponto eles diferem de nós e ilustram os caminhos evolutivos que as nossas duas famílias tomaram rumo a um desenvolvimento cognitivo jamais visto no reino animal.

“As imagens podem ser vistas durante décadas, mas o instante em que foram captadas desvanece-se bruscamente em direcção ao passado, como se fosse um espectro”, continua Brian. “É nisto que radica a beleza da fotografia.”

Brian Skerry foi à procura do golfinho Nassau, anos depois de este ter sido tema de capa desta revista. Encontrou-o. “Tal como Steve McCurry também já tinha feito com a rapariga afegã”, brinca o fotógrafo.

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