tatu

Estes tatus-peba foram fotografados no Museu e Fluviário Nacional do Mississípi, em Dubuque,
 Iowa (EUA).

Texto: Patricia Edmonds

Fotografia: Joel Sartore

A ordem dos mamíferos xenartros, que inclui preguiças, tamanduás e tatus, habita o hemisfério ocidental desde o Paleocénico, há cerca de 65 milhões de anos.

Claramente, têm tido sucesso, mas os cientistas raramente conseguiram apanhá-los em... flagrante. A ecologista brasileira Nina Attias estudou durante vários anos três das 20 espécies de tatus. A sua investigação de pós-graduação incidiu no Euphractus sexcinctus (em baixo) cujos rituais de acasalamento observou e registou em filme.

Nas zonas húmidas do Pantanal brasileiro, este animal reproduz-se durante todo o ano. Quando os machos captam o odor de uma fêmea no cio, aproximam-se e “ela simplesmente começa a correr”, conta a investigadora. “O que se vê é uma fêmea a correr como uma louca e um monte de machos a persegui-la.” Quando um pretendente mais rápido consegue montar a fêmea “o coito acontece em movimento”, diz.

Mesmo com outros machos em perseguição, o casal mantém-se acoplado. Isto é facilitado pelo facto de os tatus terem um dos maiores pénis em relação ao tamanho do corpo. Um macho de E. sexcinctus pode ter um corpo com 33 centímetros e um pénis de 15cm! Se o sexo “a correr” for bem-sucedido, 60 a 65 dias depois a fêmea pode parir uma ou duas crias.

Os tatus carecem de ajuda humana. O Brasil tem um plano nacional para conservar o tatu-bola e o estado de Piauí reservou uma área protegida para a conservação destes animais. Com o apoio do Instituto de Conservação de Animais Silvestres, onde trabalha Nina Attias, o estado de Mato Grosso do Sul planeia monitorizar tatus-gigantes como espécie indicadora, cuja presença ajudará a medir o sucesso dos esforços de conservação do habitat. 

O mundo dos tatus:

  1. Tatu-bola

É uma das duas espécies de tatus (juntamente com o tatu--bola do Nordeste) que se enrolam quando se sentem ameaçados. A União Mundial para a Conservação da Natureza classifica-os como vulnerável e raro, respectivamente devido à perda de habitat e à caça.

  1. Tatu-de-nove-faixas

A carapaça semelhante a uma armadura pode, na realidade, ter 11 faixas, ou placas de osso ligadas através de pele flexível. É o único tatu que parece saudável, pois tem também a maior distribuição geográfica e parece estar a expandir-se com o aquecimento do clima.

  1. Tatu-gigante

É o maior dos tatus e encontra-se por toda a América do Sul. Pode ultrapassar 1,5 metros de comprimento e 50 quilogramas. Está classificado como vulnerável. Os povos indígenas caçam-no e alguns agricultores matam-no devido a um mito que assegura que avistar um destes animais prenuncia azar.

Descubra uma nova visão do mundo!

Assine a National Geographic.

Pesquisar