As misteriosas rãs de São Tomé e Príncipe

Rãs e água salgada não se misturam. É por isso que não é frequente encontrar estes animais em ilhas remotas. 

Texto Jane J. Lee   Fotografia Andrew Stanbridge

 

O exotismo de São Tomé e Príncipe patenteia uma enorme quantidade de fauna e flora, muitas das quais endémicas destas ilhas atlânticas.

Não sobreviveriam à travessia a nado entre o continente e as ilhas. De vez em quando, porém, aparecem batráquios em locais inesperados, suscitando novos enigmas científicos. 
As ilhas de São Tomé e Príncipe são refúgios para centenas de animais e plantas endémicas, incluindo a rã-arborícola-gigante-de-são-tomé e a rã-arborícola-de-möller (em cima). A origem destas rãs era um mistério até a bióloga Rayna Bell rastrear a sua linhagem até ao coração de África.

São Tomé manteve-se desabitada até há 500 anos. Como a linhagem de rãs endémica é muito mais antiga, estes animais delicados não poderão ter chegado aqui pela mão do ser humano.

Análises genéticas sugerem que as rãs insulares eram parentes próximos  das rãs-arborícolas-de-ventre-canela-do-gabão no continente. Mas de que forma teriam os antepassados destas rãs colonizado duas ilhas que nunca estiveram ligadas ao continente? 
“A explicação mais plausível é que terão flutuado até ao mar”, diz Rayna. Fragmentos de vegetação terão flutuado através do rio Ogooué ou da porção ocidental do rio Congo provavelmente transportando as rãs ao longo de 250 quilómetros da costa até às ilhas. 
Os animais que sobreviveram à viagem estarão na origem das actuais rãs são-tomenses.

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