Um mundo em submersão

Relacionados ou não com as alterações climáticas os fenómenos meteorológicos parecem mais frequentes.

Fotografia Gideon Mendel

As tempestades que assolaram a Grã-Bretanha no Inverno de 2013-14 produziram um nível inédito de pluviosidade e cheias generalizadas em algumas regiões. Numa planície conhecida localmente como Somerset Levels, milhares de hectares de terra agrícola, incluindo a quinta de Roger Forgan, permaneceram submersos durante meses.
Na aldeia de Burrowbridge, em Somerset, o construtor Dave Donaldson e a sua filha Heather, de 12 anos, posam para a fotografia na sua casa inundada. Embora a restante família tenha sido evacuada durante algum tempo, Dave permaneceu no local para tentar salvar o gado da devastação aquática que, nas suas palavras, “parecia produzida por um filme apocalíptico bizarro”.
Joseph e Endurance Edem, com o seu filho Godfreedom e a filha Josephine, posam em frente ao portão da sua casa, em Igbogene, na Nigéria. Em 2012, a Nigéria sofreu a sua pior cheia em meio século. “Tive medo e pensei que íamos morrer na água”, disse Josephine. Pelo menos, 360 pessoas morreram afogadas.
Entre Julho de 2011 e Janeiro de 2012, 65 das 77 províncias da Tailândia foram declaradas zonas de catástrofe devido às cheias. Provocadas pelas monções que inundaram a sua casa, junto de Banguecoque, as cheias estavam “associadas às alterações climáticas”, disse Sakorn Ponsiri. “Pode voltar a acontecer… Temos de estar mais preparados.”
As águas das cheias cercam uma casa e uma escola junto de Muzaffarpur, no estado indiano de Bihar. Segundo os habitantes, as cheias de 2007 foram as piores a que assistiram nas suas vidas. A cheia encerrou escolas, afectou milhares de pessoas e ceifou mais de mil vidas.
As cheias de 2014 em Inglaterra “pareceram surreais”, diz Jeff Waters (na imagem com a mulher, Tracy, no seu jardim em Staines-upon-Thames). A água parou à porta de sua casa.
Na aldeia de Moorland, a casa que o pai de Shirley Armitage construiu em 1955 ficou alagada até à altura do peito.

Em 2007, na sequência de dois episódios de cheias no Reino Unido e na Índia, Gideon Mendel começou a documentar os impactes dos fenómenos metereológicos extremos. A vulnerabilidade que parecia unir as vítimas comoveu-o. A partir desse momento começou a viajar  visitando zonas de cheia onde a vida é alterada e a normalidade parece suspensa. No centro do seu projecto estão as pessoas, e esta série de retratos mostra homens, mulheres e crianças que regressam às suas casas após um desastre natural. 
"Costumo seguir os meus sujeitos quando eles regressam a casa, vencendo as zonas alagadas. Trabalho com eles para criar imagens íntimas nas suas casas inundadas. Embora em poses potencialmente convencionais, o seu ambiente está alterado de forma desconcertante. Estão frequentemente zangados com as circunstâncias ou com a reacção das autoridades. Muitos querem que as suas dificuldades sejam testemunhadas e gostam de dar a conhecer ao mundo aquilo que lhes aconteceu." 

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