A injusta má fama do corvo-marinho

Nas últimas décadas, verificou-se um aumento das populações de corvo-marinho um pouco por toda a Europa, o que suscitou preocupações por parte dos pescadores e piscicultores, que os consideram responsáveis pelo decréscimo dos stocks das populações naturais dos peixes e pela destruição de produções em pisciculturas.

Fotografia Jacinto Policarpo 

 

Fonte: “Natural born indicators: great cormorant phalacrocorax carbo as monitors of river discharge influence on estuarine ichthyofauna” (2012), ester dias et al.

A maioria destas acusações carece de fundamentação científica, embora em alguns sistemas aquáticos onde existem elevadas densidades desta espécie tenham sido observados impactes da sua predação nas populações naturais de peixes. 

O corvo-marinho pode ser utilizado como indicador do estado e das alterações que ocorrem nos ecossistemas.

Uma equipa de biólogos do CIIMAR (Universidade do Porto), em parceria com o IMARES (Holanda), coordenada por Ester Dias, concluiu num artigo publicado no “Journal of Sea Research”, que o corvo-marinho pode ser utilizado como indicador do estado e das alterações que ocorrem nos ecossistemas. Tal deve-se ao seu comportamento alimentar, que é generalista (pouca selectividade alimentar) e oportunista (consome o que é mais abundante) e que variou de acordo com as flutuações do caudal do estuário do rio Minho. Assim, o corvo-marinho não seleccionou especificamente presas com interesse comercial, mas alimentou-se dos peixes que estão mais disponíveis. Resultados semelhantes foram observados por investigadores da Universidade do Algarve, na população da ria Formosa. Assim, a dieta do corvo-marinho poderá ser um indicador fácil, rápido e barato das alterações dos ecossistemas, sem que para tal seja necessário analisar toda a complexidade dos mesmos.

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