Tristram Stuart: Todos os países ricos têm entre 1,5 e 2 vezes mais alimentos do que a quantidade necessária

Começou por ser visto como um excêntrico – um activista que tocava na ferida moderna do desperdício alimentar. Com o tempo, Tristram Stuart tornou-se o verdadeiro porta-voz do debate sobre alimentação nos países desenvolvidos. Com ele, aprendemos a não rejeitar alimentos com formas feias ou próximos do prazo de validade. No dia 25 de Maio, Tristram estará em Lisboa, no National Geographic Summit, apresentando as suas ideias mais recentes.

 Fotografia Feedback e Exposure

Os fóruns mundiais sobre abastecimento de alimentos enfatizam a necessidade de crescimento dos níveis de produção de alimentos. O seu projecto tende a enfatizar a urgência de reutilizar, reciclar e diminuir o desperdício do que já produzimos. Pode elaborar?
Todos os países ricos têm entre 1,5 e 2 vezes mais alimentos do que a quantidade necessária para distribuição à população. O sistema alimentar já é a maior causa de danos ambientais e o consumo excessivo está subjacente a inúmeras preocupações relacionadas com a saúde. A ideia de que precisamos de “mais do mesmo” é a maior ameaça à segurança alimentar a longo prazo e ao ambiente porque o crescimento da produção de alimentos exigiria mais abate de áreas florestais e a extensão da fronteira agrícola para o que resta do mundo selvagem. Isso ameaça a saúde do planeta a longo prazo, saúde da qual depende obviamente o nosso sistema alimentar. Em vez disso, devemos concentrar-nos mais na redução do desperdício de alimentos e na redução do consumo excessivo de quantidades não saudáveis de determinados alimentos, particularmente carne, lacticínios e açúcar.

Ninguém quer um sistema alimentar que explora pessoas sem poder, deixa mil milhões de pessoas com fome

Como pode um indivíduo, numa escala micro, contribuir para resolver este problema?
Podemos todos ajudar a construir o caminho para sair deste problema: como consumidores, podemos escolher dietas mais adequadas, sem desperdiçar alimentos. Na Feedback [organização que fundou], acreditamos que as pessoas também têm o poder, enquanto cidadãos, de exigir que as empresas e os nossos governos criem um sistema alimentar compatível com os nossos valores. Ninguém quer um sistema alimentar que explora pessoas sem poder, deixa mil milhões de pessoas com fome, sobrealimenta dois mil milhões e destrói o ambiente. Todos podemos ajudar activamente a criar um sistema alimentar que resolva estes problemas em vez de os causar.

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