Jane Goodall: Demorou alguns meses até os chimpanzés permitirem que eu me aproximasse

 Estudou chimpanzés como nunca ninguém os estudara e extraiu dessa investigação elementos decisivos sobre o comportamento destes animais. Jane Goodall, fundadora do Instituto Jane Goodall e Mensageira da Paz das Nações Unidas, regressa a Portugal para uma conferência no âmbito do National Geographic Summit, no dia 25 de Maio. Jane abriu o trilho da investigação continuada em ambiente selvagem. Os próximos passos cabem a cada um de nós.

 Fotografia barão Hugo van Lawick

 

A década de 1960 foi um momento de mudança dos papéis tradicionais atribuídos às mulheres. Concorda que foi mais longe na sua especialidade?
Cheguei a Gombe, na Tânzania, em Julho de 1960. Não tinha nenhum diploma universitário e ia acompanhada da minha mãe. Depois de observar pacientemente e à distância os chimpanzés em ambiente selvagem, consegui finalmente observá-los a criar e utilizar ferramentas. Anteriormente, pensava-se que apenas os humanos tinham essa capacidade. Fui a primeira mulher a desenvolver este tipo de trabalho no terreno e abri caminho para outras.

 Os biólogos tentam manter-se objectivos em relação aos sujeitos de estudo. Porque mostrou proximidade física e emocional com os chimpanzés?
Demorou alguns meses até os chimpanzés permitirem que eu me aproximasse o suficiente para observar o seu comportamento. Usava todos os dias roupas da mesma cor e observava-os pacientemente. Ao fim de algum tempo, alguns aceitaram a ideia de que eu não representava uma ameaça. Passei a minha infância a aprender o que podia sobre animais e sabia que a observação paciente e sistemática resultaria. Ser tolerada ou “aceite” pelos membros do grupo foi muito útil para conseguir perceber o comportamento dos chimpanzés e a sua estrutura familiar.

 

Fotografia Martin Schoeller

Chegou a Gombe sem preparação académica. Foi uma vantagem que lhe permitiu observar aquele ecossistema com um olhar mais “limpo”?
Como não tinha formação académica específica, não estava consciente de restrições à pesquisa. Não sabia que não devia personalizar os nomes dos chimpanzés mas sim registá-los com números. Aprendi que as famílias de chimpanzés mostravam muitos dos mesmos traços das relações entre humanos e que cada chimpanzé tinha a sua personalidade. Com nomes, os chimpanzés de Gombe, e os seus descendentes tornaram-se famosos em todo o mundo quase 60 anos depois.

Descubra uma nova visão do mundo!

Assine a National Geographic.

Pesquisar