Os malabarismos prodigiosos das novas inquilinas do Gerês

Passa pouco das nove horas e trinta minutos da manhã no coração dos Pitões das Júnias, no Parque Nacional da Peneda-Gerês. O nevoeiro é cerrado, mas, mais tarde, é-se recompensado com o alistamento de cabras-monteses que encontram aqui o seu refúgio.

Texto e Fotografia Luís Quinta

As inacessíveis escarpas verticais da serra proporcionam refúgio durante a noite.

Passa pouco das nove horas e trinta minutos da manhã no coração dos Pitões das Júnias, no Parque Nacional da Peneda-Gerês. O nevoeiro é cerrado. Não consigo ver mais do que vinte metros, distância insuficiente para vislumbrar as cabras selvagens que habitam esta região. Tenho de esperar quase duas horas até distinguir os primeiros cabeços de rocha granítica a mais de trezentos metros de distância. No início, vejo apenas silhuetas, depois as árvores ganham variados tons de vermelho, amarelo, ocre e verde. A meio do mês de Novembro, o Outono está no auge.

Mais trinta minutos de espera e descubro, recortada numa escarpa, uma silhueta de um macho de cabra-montês. É um adulto de grande porte e parece estar petrificado a olhar para nós. 

De binóculos varremos todos os cabeços disponíveis e pontos conspícuos, mas não há sinais do cabredo do Gerês. As nuvens ganham altura e a luz solar ilumina os vales no meio dos Pitões. Voltamos a usar os binóculos.
É um trabalho de persistência. Há que ver e rever todos os possíveis locais. Mais trinta minutos de espera e descubro, recortada numa escarpa, uma silhueta de um macho de cabra-montês. É um adulto de grande porte e parece estar petrificado a olhar para nós. 
Nesta época do ano, as fêmeas estão no cio e um macho adulto deste tamanho terá certamente um rebanho na zona. Tenho de rodear o cabeço da Espinheira para perceber quantos animais constituem este grupo.
Procuro ter o vento favorável à minha progressão e começo a subir as rochas de granito. No topo do cabeço, identifico várias cabras, muitas fêmeas, dois machos adultos, alguns machos juvenis e algumas crias deste ano. São muito pequenas e parecem bonecos de pelúcia. 

Descubra uma nova visão do mundo!

Assine a National Geographic.

Pesquisar