Fascinada com a obsessão precoce da filha pelo cor-de-rosa, uma fotógrafa explora duas cores altamente influentes.

Texto Catherine Zuckerman Fotografia JeongMee Yoon

Quando foi fotografada em 2007, Jeeyoo, de 4 anos de idade, vestia rosa da cabeça aos pés e estava rodeada por muitas das suas “posses” cor-de-rosa. Posava no seu quarto em Seul, na Coreia do Sul.

Quando a filha de JeongMee Yoon tinha 5 anos de idade só queria vestir-se de cor-de-rosa. JeongMee, uma fotógrafa sul-coreana, sabia que a preferência da filha era partilhada por legiões de meninas, mas ficou tão intrigada com essa preferência aparentemente universal que deu início ao Projecto Rosa e Azul, uma série fotográfica em curso, dedicada às duas cores mais frequentemente associadas a meninas e meninos de todo o mundo.

“Queria mostrar até que ponto as crianças e os pais, de forma consciente ou inconsciente, são influenciadas pela publicidade e pela cultura popular”, conta. “O azul tornou-se um símbolo de força e masculinidade, enquanto o rosa simboliza a doçura e a feminilidade.”

Igualmente em Seul, Donghu, de 6 anos, posa de pé no meio dos seus brinquedos, roupas e livros azuis para um retrato captado em 2008.

 A ligação do género a estas cores é relativamente recente, de acordo com Jo Paoletti, professora de estudos americanos na Universidade de Maryland. No século XIX, os tons pastel estavam na moda na maior parte dos países do hemisfério norte e eram utilizados para “favorecer o tom de pele e não para marcar o género”, diz ela. Na primeira metade do século XX, a distinção de género através das cores do vestuário começa a surgir e, em 1940, o rosa e o azul ganharam o papel das cores associadas ao género que conhecemos na actualidade.

Os Estados Unidos contribuíram significativamente para o fenómeno, alimentado pela subtil paleta de cores difundida pela Barbie, pelos filmes de super-heróis e outros elementos marcantes da infância norte-americana. E tem o mesmo tipo de poder de permanência cultural que as “ideias tradicionais sobre sexo, género e sexualidade.” 

A pequena Jiwon tinha 4 anos quando esta fotografia foi captada, em 2008. Embrenha-se num mar de bens cor-de-rosa na sua casa em Goyang, na Coreia do Sul.

Desde o início do seu Projecto Rosa e Azul, em 2005, JeongMee verificou que as preferências de cor das crianças mudam muitas vezes com a idade, normalmente por volta dos 10-11 anos. Quando fotografou Maia (à direita) aos 8 anos, na sua casa de Hempstead, Nova Iorque, a menina estava a começar a sair do campo de gravitação do cor-de-rosa em direcção a outras cores, incluindo o roxo.

Ethan, de 5 anos, enverga uma capa do Super-homem nesta fotografia de 2006 captada no seu quarto repleto de azul, em Nova Iorque (EUA).

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