Um padrão rico em manchas e listas pretas sobre uma coloração cinza-prateada, o corpo esbelto e alongado do tamanho de um pequeno gato, patas curtas e uma enorme e felpuda cauda listada – esta é a descrição típica de uma gineta, um carnívoro abundante em Portugal.

Texto e fotografia Gonçalo Rosa

Exemplar fotografado na Companhia das Lezírias por armadilha fotográfica.

Porém, pontualmente, são observadas ginetas pretas ou castanho-escuras, fenómeno habitualmente conhecido por melanismo. Trata-se de uma mutação rara e pouco descrita, mais conhecida em jaguares e leopardos. Em Portugal, as primeiras observações de ginetas melânicas datam do início do século XX, mas, recentemente, Paulo Barros, um investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, descreveu alguns casos de melanismo no Norte de Portugal. 

As observações resultaram de um animal encontrado atropelado e de dois outros fotografados por armadilhagem fotográfica. “O melanismo pode resultar de endogamia na população”, argumenta o investigador. A gineta foi introduzida na Europa há centenas de anos, oriunda do Norte de África, e talvez o fenómeno de inbreeding tenha resultado de esta introdução ter ocorrido com um baixo número de animais.

Fonte: "First Records of Melanistic Genet (Genetta genetta L., 1758) in North Portugal”, Paulo Barros et al, Anales de Biologia (2014).

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