Onde se encontra Filipe II da Macedónia?

Desde o famoso achado arqueológico de há quase quatro décadas, pensa-se que os restos mortais do soberano repousavam no Túmulo II da necrópole real de Vergina, na actual Macedónia grega. No entanto, as análises osteológicas recentes parecem indicar outra direcção…

Texto Alec Forssmann   Infografia e ilustração Almudena Cuesta

Esta pequena escultura de marfim do século IV a.C., supostamente uma representação de Filipe, integrava a explêndida decoração de uma cama mortuária de madeira, cujos restos foram encontrados no Túmulo I do Grande Túmulo de Vergina, no Norte da Grécia - Fotografia Museu dos Túmulos Reais de Egas, Vergina/G. Dagli Orti/DEA/Getty Images.

Há personalidades históricas cujo paradeiro depois de mortas, umas vezes desconhecido, outras revelado, conseguiu manter-se rodeado de mistério permanente ao longo dos séculos. A procura dos restos mortais de algumas destas figuras míticas, como Nefertiti, Cleópatra, Gengis Khan ou o último czar da Rússia, fez correr rios de tinta nos anais da arqueologia, suscitando debates acesos.

A avaliar pelas recentes revelações de uma equipa de investigação hispano-grega, a última morada de Filipe II da Macedónia, o rei que conseguiu congregar as cidades da Grécia antiga e estabelecer as bases para o maior “império” conhecido até à data no século IV a.C., não constitui excepção.

Filipe II, pai de Alexandre, o Grande, morreu assassinado no ano 336 a.C., aos 46 anos. A meio da sua vida, aos 23 anos, destronara o seu jovem sobrinho Amintas IV e governou sozinho a partir de então. Não há muita discussão sobre as suas incontáveis façanhas: venceu através das armas e da guerra e converteu a Macedónia na principal potência da Grécia. 

Em contrapartida, há várias hipóteses sobre os motivos da sua morte e, particularmente, uma enorme polémica quanto aos seus restos mortais, se é que são suas as ossadas descobertas no final da década de 1970 num dos túmulos de um montículo artificial perto da actual povoação de Vergina, cerca de 80 quilómetros a oeste de Salonica, onde em tempos floresceu Egas ou Egeias, a antiga capital macedónica. Esses ossos encontram-se actualmente guardados na Grécia, sob o maior sigilo. Na academia, porém, o consenso tarda.

A polémica surgiu em Novembro de 1977, ou seja, 2313 após a morte de Filipe, quando o arqueólogo grego Manolis Andronikos fez uma descoberta excepcional no sítio arqueológico de Egas ou Egeias

A polémica surgiu em Novembro de 1977, ou seja, 2313 anos após a morte de Filipe, quando o arqueólogo grego Manolis Andronikos fez uma descoberta excepcional no sítio arqueológico de Egas ou Egeias. As escavações no Grande Túmulo desvendaram três túmulos (dois naquele ano e um terceiro pouco depois) da família real dos Argéadas, a dinastia que reinou na Macedónia entre os séculos VIII e IV a.C., e um cenotáfio, ou monumento funerário, em ruínas. As primeiras investigações revelaram que o Túmulo I tinha sido saqueado, mas os Túmulos II e III permaneciam intactos.

Na cidade de Corinto, mais de trezentos quilómetros a sul de Pelá, Filipe fundou a Liga Helénica, ou de Corinto, uma fundação de estados gregos para combater e derrotar o seu eterno rival persa. Fotografia Violin/Depositphotos.

“Quando examinei uma das cabeças mais de perto, não conseguia acreditar no que estava a ver: era um excelente retrato de Filipe. Distinguia-se um homem adulto, com uma expressão um pouco fatigada e uma ferida no olho, mas claramente com grande força de carácter”, relatou Andronikos na reportagem publicada na edição de Julho de 1978 da revista National Geographic. O arqueólogo referia-se à pequena estatueta de marfim descoberta no Túmulo II (ver página 3), que continha igualmente tesouros deslumbrantes: coroas e arcas de ouro, um ceptro, uma espada, um escudo, uma couraça, um elmo e um par de grevas – ou perneiras protectoras – com tamanhos diferentes, que seriam atribuídos a Filipe e à sua famosa perna coxa.

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