Texto  Rena Silverman   Fotografias  Danila Tkachenko

    

Para obter uma perspectiva diferente de bases de lançamento espacial ou de postos de abastecimento abandonados, “precisava de muita neve no solo”, conta. “Isso criava uma atmosfera especial para as fotografias, uma espécie de… luz muito difusa.”

Noutras ocasiões, as rajadas de vento levantavam a neve e eliminavam a visibilidade, obscurecendo a realidade que o fotógrafo pretendia documentar: edifícios, equipamentos e monumentos que em tempos foram símbolos de progresso e eram agora inúteis. Para Danila, estas relíquias pareciam “uma metáfora de um futuro pós-apocalíptico”. Entre 2012 e 2015, passou meses a fotografá-los para um projecto que apelidou de “Zonas Restritas”.

O nome foi inspirado pelo local onde Danila começou a trabalhar. Em 1957, numa unidade de produção de plutónio, explodiu um contentor de resíduos nucleares, contaminando uma vasta área. Os soviéticos tentaram esconder o acidente enquanto tratavam das aldeias afectadas. Uma delas era Ozyorsk, onde os residentes foram autorizados a permanecer, mas cujo acesso foi limitado aos portadores de um passe ou cujos familiares residissem no local.

Os avós de Danila viveram em Ozyorsk até 2007, ano em que o pai morreu, vítima daquilo que a família considerou efeitos de longo prazo da radiação. “A fatalidade do progresso inspirou-me”, conta o fotógrafo. Como a sua avó ainda lá vivia, visitou a aldeia proibida em 2012 e tirou fotografias.

Depois de fotografar em Ozyorsk, Danila sentiu-se motivado a procurar outros locais e estruturas que simbolizassem o abandono da marcha rumo ao progresso. Investigou, identificou e viajou por três antigas repúblicas soviéticas e pela Bulgária, fotografando “construções utópicas gigantescas, inacabadas ou que fracassaram”.

A sul da cidade russa de Kazan, fotografou o decadente navio Bulgaria. Em Julho de 2011, no meio de uma tempestade repentina, o navio afundou-se no rio Volga, matando mais de 120 pessoas, muitas das quais crianças. Içado do fundo e arrastado para a margem do rio para investigação, permanece ali, junto de um memorial.

Danila também visitou um monumento dedicado aos “guerreiros libertadores”, junto de Voronezh. Foi instalado perto de uma central nuclear numa tentativa de animar os funcionários, segundo lhe disseram, mas a construção nunca foi concluída.

Aos 25 anos, o fotógrafo diz não ter encontrado problemas de segurança enquanto fotografava, mas as suas viagens não foram isentas de perigo. Danila esteve em zonas de radiação elevada e percorreu estruturas periclitantes. 

A mensagem do seu projecto não se limita à documentação dos fracassos da antiga União Soviética, pois o fotógrafo pretende que o seu trabalho seja lido como uma alegoria dos fracassos da tecnologia em geral: “Não consigo deixar de questionar a ideia generalizada de o progresso servir sempre o bem da humanidade”.

 

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