Os trabalhos de identificação ainda decorrem, mas já se detectaram mais de noventa exemplares e a cada visita são descobertos novos fósseis. Os últimos exemplares foram detectados em Julho de 2014. Estão identificadas dez morfoespécies de ouriços-do-mar (equinóides), cinco de estrelas-do-mar (asteróides), duas de lírios-do-mar (crinóides) e uma de serpentes-do-mar (ofiuróides), classes amplamente representadas nos oceanos actuais.

Estudos conduzidos em animais contemporâneos sugerem que os equinodermes desagregam-se rapidamente após a sua morte. 

Para esta diversidade muito contribui a distribuição dos espécimes na interface de quatro camadas de calcário muito compacto, que “indicia a ocorrência de um evento cíclico capaz de conduzir à morte e rápida preservação dos restos dos animais em causa”, explica Bruno Pereira. Estudos conduzidos em animais contemporâneos sugerem que os equinodermes desagregam-se rapidamente após a sua morte. “Para este tipo de preservação ocorrer, o soterramento destes animais deverá ter sido rápido”, diz.

A jazida apresenta ainda condições favoráveis à ocorrência de espécimes-tipo, ou seja, exemplares que permitem a identificação de espécies novas ou uma melhor compreensão de espécies já descritas para o Jurássico Médio.
Os trabalhos decorrem de momento em ambiente laboratorial e in situ. O mapeamento e inventariação dos fósseis da jazida têm sido desenvolvidos por Bruno Pereira, Susana Machado, técnica do LNEG, Lia Mergulhão, técnica do ICNF, e José António, técnico do Museu Geológico. Nos fósseis mais instáveis, desenvolveram--se acções de estabilização ou consolidação e foram produzidos vários moldes para estudo em laboratório. 

Nos fósseis mais instáveis, desenvolveram--se acções de estabilização ou consolidação e foram produzidos vários moldes para estudo em laboratório. 

Debaixo do céu invernal e ameaçador, por onde o sol espreita timidamente, José António deita com cuidado látex sobre os fósseis, espalhando-o uniformemente para que a espessura se mantenha enquanto remove as pequenas bolhas de ar acumuladas. “Só espero que não chova”, repete, como um mantra, já que a chuva danificaria permanentemente os moldes.
De volta ao Museu Geológico, cada fóssil é cuidadosamente analisado, preparado e limpo com paciência de ourives. Grão a grão, vão-se descobrindo estruturas delicadas. As articulações dos organismos fossilizados revelam-se à luz da lupa, sob o olhar atento de quem viu muito mas ainda não viu tudo. Longe de estar finalizado, este é um trabalho para vários anos. Tudo começou num mar interior há milhões de anos, mas a narrativa final, essa, demorará mais alguns instantes.

Em Dezembro de 2013, foi amplamente divulgada na comunicação social a “descoberta” de um fundo marinho jurássico em Porto de Mós. Na verdade, o achado ocorrera uma década antes, mas a pedreira estava concessionada.

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