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cidade do México

Inspiração asteca. O rosto de Tláloc, o deus da chuva, cobre a fachada meridional da biblioteca da Universidade Autónoma do México (UNAM).

Da imensa Cidade do México à região de Chiapas, esta é uma viagem de descoberta do mundo pré-hispânico e da exuberância natural de um país extenso, diversificado e fascinante.

A Cidade do México seduz mal é avistada pela janela do avião. A silhueta da cidade deslumbra e a sua planta, composta por centenas de cintilantes pontos estendendo-se sem interrupção até ao infinito, é uma marca de água inconfundível.

A capital mexicana parece matéria líquida e ofuscante, com vida própria que se move, vibra e altera o seu aspecto a cada instante. Mais de vinte milhões de pessoas vivem, morrem, bebem, comem, dançam, conduzem, procriam, riem e choram, odeiam e amam ao mesmo tempo na malha infinita de luzes lá em baixo. A cidade reluz como uma fogueira e estende a sua luminosidade até onde a vista alcança.

Cidade do México, ou CDMX, o seu novo acrónimo, apaixona todos, quer a percorram a pé, de metro ou de táxi. É a mais extensa urbe do planeta, mas foi construída numa zona sísmica que desaconselha a construção em altura. É a quarta cidade mais povoada do planeta e um lugar onde todos os números são superlativos: aqui situam-se avenidas com quase 30 quilómetros de comprido, há mais de nove milhões de veículos a motor, 140 mil táxis, 40 mil autocarros, 5,5 milhões de utilizadores de uma rede de metro desenhada para três milhões. É um verdadeiro formigueiro humano, uma visão do futuro que não deixa ninguém indiferente. 

Como todas as grandes capitais do mundo, a Cidade do México é, na realidade, a soma de muitas pequenas cidades. Bairros fechados sobre si próprios, que vivem realidades à parte e que funcionam como vasos nem sempre comunicantes. Fora das grandes avenidas como a Insurgentes ou a Periférico, ou dos altos edifícios de escritórios da Reforma, os bairros de CDMX mantém ainda traços de aldeia ou de pátio da província. As ruas ornamentadas de árvores de La Condesa, de Roma, de Coyoacán ou de Xochimilco cheiram a chile poblano e a panbazo, às frigideiras onde se douram os tamales e as quesadillas de huitlacoche, um fungo que cresce nas espigas de milho. 

Embora seja uma cidade ruidosa, os sons dos bairros evocam ainda uma realidade de aldeia. O som dos peseros, o transporte colectivo mais usado; o apito do camotero, o vendedor ambulante de batata-doce e bananas assadas, que parece uma locomotora a vapor ou mesmo a sirene de um barco; o do órgão manual do cilindrero, cujo som oscila entre o clavicórdio e o piano, atinge tons agudos muito engraçados, frequentemente mais pela idade do aparelho do que pela intenção do intérprete; o do cuate que apregoa a plenos pulmões a excelência dos seus tamales de Oaxaca. Ou o dos camiões de gás, com a sua melodia inconfundível, um “tirori, tirori” semelhante a um pregão seguido de uma voz que grita “él gaaaaaaaaas”.

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