baleias

Um caçador escuta as águas, tentando ouvir as vocalizações das baleias nas proximidades.

Os inupiat, comunidade indígena do Alasca, passam semanas no gelo, aguardando as baleias em migração.

Texto: Daniel Stone 
Fotografias: Kiliii Yüyan

Na vertente norte do Alasca, a cultura dos inupiat concentra-se nas baleias. Todas as primaveras, homens e mulheres permanecem no tuvaq, o gelo próximo da água, aguardando a passagem das baleias da Gronelândia, em migração para norte, do mar de Bering para o Árctico Canadiano. Quando avistam uma, o grupo empurra um umiak para dentro de água. Normalmente, têm uma oportunidade para capturar a baleia com o arpão. Se a caçada for bem-sucedida, cada membro da comunidade receberá uma porção da carne.

Esta história de continuidade cultural fascinou o fotógrafo Kiliii Yüyan. Yüyan também pertence a um povo indígena: descende dos hezhe (Nanai, em russo), caçadores e pescadores do Norte da China e do Sudeste da Sibéria. As reportagens que descrevem as comunidades indígenas como degradadas ou empobrecidas ignoram a sua complexidade, comenta Kiliii. “Temos de estar com elas para compreendermos toda a sua esperança e alegria.”

Num total de dez meses, ao longo de cinco anos, Kiliii Yüyan viveu entre os inupiat em Utqiaġvik (localidade antigamente conhecida como Barrow). Acampou no gelo marinho para observar baleias, oferecendo-se frequentemente como voluntário para fazer o turno da noite, quando a escuridão e o silêncio se instalam. Na verdade, o silêncio é rapidamente quebrado. Quando uma baleia chega, um batedor emite o alerta a partir da sua posição, chamando a equipa para lançar a embarcação. “Quando estão perto, [o ruído] não é ténue”, comenta. “É notável. Elas cantam. É como um espectáculo musical.” 

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