Seduziu dois grandes líderes romanos, Júlio César e Marco António, ganhando assim a fama de mulher sensual que teve uma longa vida. Na verdade, o seu único objectivo foi salvar a independência do Egipto e o seu próprio poder.

Pérfida, insaciável, mulher fatal… O que se conhece de Cleópatra está mais baseado no mito do que em factos históricos. Poucos sabem que esta “egípcia” foi na realidade a última representante de uma dinastia greco-macedónica instalada no país do Nilo.
O mito criado sobre Cleópatra começou já em vida, quando ela foi vítima da guerra de propaganda iniciada por Octávio – o futuro imperador Augusto – na sua luta contra Marco António.

Escritores como Propércio, Horácio ou Virgílio, todos do círculo literário de Mecenas, grande amigo de Octávio, atribuíram--lhe a responsabilidade pela deflagração do conflito, mas esse confronto não foi apenas uma guerra civil entre romanos, pois implicou uma grande parte dos estados do Mediterrâneo e trouxe consigo o aparecimento de um novo regime político: o principado, prólogo de facto do reinado de Octávio. Da mesma forma, a influência “negativa” de Cleópatra sobre Marco António apresenta-se como um factor determinante para explicar a derrota e a morte deste. Séculos depois, Shakespeare fez do casal António e Cleópatra um exemplo do tipo de paixão que pode conduzir a um final trágico, criando uma imagem com forte ressonância na literatura e no cinema.

Cleópatra também fascinou os historiadores. Alguns viram na sua acção os caprichos da última representante de uma monarquia absoluta, corrupta e decadente, capaz de manipular os homens utilizando as suas “armas de mulher”; outros imaginaram-na como um peão num tabuleiro em que algumas das grandes personagens romanas jogaram pela supremacia.

Ultimamente, esta imagem tem sido revista e Cleópatra aparece como uma figura activa no jogo político, cuja principal intenção foi evitar o desaparecimento do Egipto como Estado independente, no processo histórico que via a ascensão de Roma a capital de um império que acabou por engolir todas as nações do Mediterrâneo. O que podemos afinal concluir com toda a certeza de descrições tão opostas entre si?

Herdeira de uma dinastia grega

Cleópatra VII pertencia à dinastia dos Ptolemeus ou Lágidas, fundada por um general de Alexandre chamado Ptolemeu Lágida (filho de Lagos). Quando o conquistador morreu em 323 a.C., o seu império fragmentou-se em diversos estados e o Egipto caiu nas mãos de Ptolemeu que se proclamou rei com o nome de Ptolemeu I. Este fez de Alexandria a sua capital e transformou-a numa das cidades mais importantes da Antiguidade.

O Egipto onde nasceu Cleópatra VII quase três séculos depois era um estado debilitado, distante da potência dos tempos de Ptolemeu I. A decadência não fora instantânea. O momento fulcral ocorrera em 170 a.C. quando o país foi invadido por Antíoco IV da Síria, e só a intervenção diplomática de Roma pôde então salvar o reino. Desde essa altura, o Egipto, apesar de manter a independência, transformou-se na prática numa espécie de protectorado, no qual Roma agia como juiz e interagia com as disputas dinásticas internas.

 

O Santuário de Filae. Foi o principal centro egípcio do culto de Ísis, muito popular no período helénico e romano, como testemunha a própria Cleópatra, a “nova Ísis”. Situava-se numa ilha no meio do Nilo e teve de ser transferido durante a construção da barragem de Assuão.

A situação agravou-se em 80 a.C., quando Ptolemeu XI morreu sem herdeiros legítimos, circunstância que, segundo o seu testamento, significava que o reino deveria passar para o domínio de Roma. A elite egípcia reagiu, colocando no trono um parente bastardo, Ptolemeu XII, pai de Cleópatra VII. O novo rei não foi reconhecido pelo Senado romano, mas teve a sorte de a rainha da Síria, Cleópatra Selene, filha de Ptolemeu VII e única descendente legítima dos Lágidas, reivindicar a coroa do Egipto para si e para os seus filhos. A disputa motivou Roma a manifestar apoio pela campanha do herdeiro bastardo ao invés da do herdeiro legítimo que poderia unificar os reinos da Síria e do Egipto e transformar-se num poderoso soberano.

Durante o reinado de Ptolemeu XII, Pompeu conquistou a Síria e transformou-a numa província romana. Foi nessa altura que o velho testamento de Ptolemeu XI foi recuperado e a propriedade sobre o reino egípcio foi novamente reclamada. Perante isto, Ptolemeu XII subornou um dos líderes populares para conseguir a aprovação de uma lei que o reconhecesse como soberano do Egipto. Corria o ano de 59 a.C. e o político subornado era Júlio César. A quantia envolvida ascendia a seis mil talentos (quantidade equivalente à renda anual de todo o reino). Foi neste contexto que Cleópatra VII cresceu, nascida no ano de 69 a.C. e educada desde criança para tomar consciência do perigo que ameaçava o trono do Egipto. Assim, as acções do seu pai tiveram uma influência enorme no seu carácter e na orientação dos seus desígnios políticos.

Ptolemeu só se manteve um ano no trono, dado que o descontentamento pelo aumento dos impostos para pagar o suborno provocou uma revolta. O rei fugiu para Roma, ansiando que Pompeu o recolocasse no trono. Enquanto isso, a sua mulher, Cleópatra VI, continuou a reinar no Egipto, sendo depois sucedida pela sua filha Berenice IV. Por fim, em 55 a.C., Gabínio, procônsul da Síria e partidário de Pompeu, invadiu o Egipto em nome de Ptolemeu a troco de dez mil talentos. Uma vez recolocado, Ptolemeu assassinou Berenice. Restavam ainda quatro filhos reais: Cleópatra VII, de 14 anos; Arsínoe IV, de 9; Ptolemeu XIII, de 6, e Ptolemeu XIV, de 4.

Rainha do Egipto

Quando o seu pai morreu, quatro anos depois, Cleópatra VII subiu ao trono e casou-se com o seu irmão, Ptolemeu XIII, tal como estipulava o testamento paterno, do qual Pompeu era executor. Assumiu de seguida o carácter faraónico do antigo Egipto como ninguém o fizera na sua dinastia. Ela era a única representante que tivera o cuidado de aprender o idioma egípcio. Para além disso, tentou desde o início reinar sozinha, prescindindo do irmão e enfrentando assim os preceptores deste.

 Cleópatra percebeu que, para governar sozinha, teria de contar com o beneplácito de um dos homens fortes de Roma e tomou o partido de Pompeu, protector do seu pai, a quem enviou víveres e tropas para a guerra que este mantinha com com César. 

Os tutores do irmão provocaram uma sublevação em Alexandria e Cleópatra fugiu para a Síria. Quase ao mesmo tempo, em Agosto de 48 a.C., César derrotou Pompeu em Farsália e este fugiu para o Egipto em busca de refúgio junto dos herdeiros do seu protegido, Ptolemeu XII. Foi uma opção trágica.

Os partidários de Ptolemeu XIII executaram-no, acreditando que isto agradaria a César e esperando de seguida aniquiliar Cleópatra, privada do seu protector romano.

A reacção de César não foi a esperada por Ptolemeu XIII. Ao chegar a Alexandria, ordenou aos dois irmãos que se apresentassem perante ele com a intenção de mediar o conflito. Cleópatra teve dificuldades em obedecer à ordem, dado que os partidários do irmão controlavam os acessos ao palácio. Para o conseguir, idealizou o famoso ardil de se colocar no interior de um saco (ou tapete, segundo outras versões) que um servo introduziu no palácio. César e Cleópatra terão passado juntos essa noite, o que não impediu que o general romano se mostrasse aparentemente imparcial na querela entre irmãos e esposos, restabelecendo o governo conjunto de ambos.

Os partidários de Ptolemeu XIII tentaram recuperar a iniciativa, eliminando os amantes. Para tal, voltaram a sublevar a população da cidade e cercaram os quatro mil homens de César no interior do bairro palaciano, com apoio de vinte mil soldados.
O cerco durou até os reforços de César chegarem e Ptolemeu XIII foi derrotado e morto. Cleópatra casou-se nessa altura com o seu último irmão, Ptolemeu XIV.

Júlio César. Teve um filho com Cleópatra (Cesarião), que governou à sombra da mãe. Busto de mármore encontrado no Palácio Farnésio de Roma. Museu Arqueológico Nacional, Nápoles.

Pelo Nilo junto de César

Depois disto, as fontes relatam que César permaneceu no Egipto percorrendo o Nilo durante três meses, até Abril, com a sua amante Cleópatra e um cortejo de quatrocentos navios. As razões para que César não partisse para Roma de imediato, apesar do perigo que os poderosos partidários de Pompeu representavam, ainda não foram totalmente esclarecidas e o facto pode estar relacionado com o fascínio que este sentia pela rainha. Em alternativa, vários historiadores asseguram que o motivo foi mais prosaico. Abril é o mês da colheita de cereal no Egipto e César foi carregando os seus quatrocentos navios com cereais. Necessitava dessa carga para alimentar Roma e o seu exército, dado que os partidários de Pompeu controlavam a província de África (actual Tunes), celeiro de Roma. Talvez a ânsia de César por reconciliar Cleópatra com o seu irmão tenha tido o propósito também de evitar a guerra civil egípcia, que teria colocado em perigo os objectivos de César relativamente à colheita do Egipto.

Assim, em Abril de 47 a.C., César saiu do Egipto deixando três legiões para proteger o cereal e a rainha, grávida de um filho seu, Cesarião. Este fruto da sua relação beneficiava os dois amantes, dado que César conseguia com isto assenhorear-se do Egipto sem prestar contas a Roma, enquanto Cleópatra conseguia que o Egipto passasse a ser uma província romana. Em contrapartida, se os planos de César chegassem a bom porto, Cleópatra acreditava que poderia colocar Cesarião à frente de um império com dimensão semelhante ao de Alexandre.

Depois de derrotar os últimos partidários de Pompeu em 45 a.C., César recebeu o título de ditador perpétuo e o direito a usar o traje triunfal e a coroa de louros. Entretanto, Cleópatra e Cesarião tinham chegado a Roma. César reconheceu Cesarião como seu filho, embora não se tivesse casado com Cleópatra (já era casado com uma romana, Calpúrnia, sem descendência dessa relação).

Enquanto isso, corria o rumor de que o conquistador da Gália aspirava a ser proclamado rei, e foi assim que, no dia 15 de Março de 44 a.C. (os idos de Março), Júlio César foi assassinado quando entrava numa sessão do Senado na qual se discutiria, entre outros assuntos, a concessão do título de rei antes do início de uma campanha militar contra o reino parto. Seria no fundo, a concretizar-se, a consumação da resposta fornecida pelos Livros sibilinos a uma questão sobre o resultado da campanha: “Só um rei pode vencer os partos.”

Morto César e aberto o seu testamento, Cleópatra comprovou que o ditador nomeara como herdeiro o seu sobrinho Octávio. Se Cesarião alguma vez esteve nos projectos de César, seria num futuro longínquo, quando a sua liderança estivesse consolidada. Mas isso são apenas conjecturas, dado que os projectos de César morreram com ele.

Cleópatra regressou ao Egipto com Ptolemeu XIV, que morreu logo a seguir, talvez envenenado por ordem da rainha. Estabeleceu de imediato o seu filho Cesarião como co-regente, quando este tinha apenas 3 anos.

Entretanto, em Roma, os triúnviros Octávio, Marco António e Lépido começavam a reagir contra os assassinos de César. Com menor pressão romana, o Egipto prosperou. Por fim, a rainha demonstrava a sua capacidade de governação, percebendo que deveria modernizar a administração e revolucionar as estruturas económicas do país. Para isso, fez frente aos privilégios que os cortesãos e o clero pretendiam preservar.

A tranquilidade não durou muito. Em Outubro de 42 a.C., os triúnviros derrotaram os republicanos em Filipos e dividiram o império. António ficou com o Oriente e, como tenente e amigo de César nos últimos anos, quis recuperar os seus projectos. Ao mesmo tempo, imitou Pompeu e procurou inspiração no Oriente, procurando também emular as façanhas de Alexandre, o Grande (a chamada imitatio Alexandri).

Replicando o comportamento de César à sua chegada a Alexandria, António instalou--se em Tarso (capital da província romana da Cilícia) e, no ano de 41 a.C., convocou Cleópatra para lhe pedir contas. Conhecedora da urgente necessidade de fundos, Cleópatra não respondeu às primeiras mensagens. Por fim, compareceu à ordem numa galera com popa de ouro e remos de prata, mostrando a Marco António que ela era a solução para muitos dos seus problemas. Transformaram-se em amantes passando o Inverno em Alexandria.

Unida a Marco António

Na Primavera de 40 a.C., Marco António abandonou Alexandria para suster um ataque parto. A sua esposa Fúlvia comandou na Península Itálica um exército para arrebatar o poder de Roma a Octávio. Depois de Fúlvia ser vencida em Perúgia e morta em Atenas, Marco António avançou contra Octávio. Mesmo assim, a guerra aberta não deflagrou, pois ambos fizeram as pazes em Brindisi. Como parte do acordo de tréguas, Marco António casou-se com a irmã de Octávio, Octávia, e os esposos foram para Atenas, onde tiveram duas filhas. Foi ali que Marco António preparou a invasão do reino parto, antecipando que quem vencesse poderia apresentar-se em Roma como único sucessor de César. Com a desculpa dos perigos da guerra, enviou Octávia para Roma. Enquanto isso, Cleópatra dava à luz gémeos, filhos de Marco António: Alexandre e Cleópatra.

A campanha de Marco António contra os partos terminou no ano de 36 a.C. com um fracasso parcial, provocado pela traição do rei da Arménia. Entretanto, Octávio aproveitou para se desembaraçar de Lépido no Ocidente, tornando-se senhor indiscutível de Roma, a capital. Apostava assim na legitimidade já obtida, estratégia que fora utilizada por César contra Pompeu. De seguida, não cumpriu a sua promessa de enviar reforços militares para Marco António para que este pudesse continuar a guerra contra os partos; em vez disso, enviou Octávia. Ofendido, Marco António devolveu a esposa ao irmão e este teve a desculpa perfeita para apresentar Marco António como uma simples marioneta nas mãos da sua amante egípcia. A guerra civil era uma questão de tempo.

Em 34 a.C., António atacou e venceu o traidor arménio, mas, em vez de celebrar um triunfo tradicional em Roma, fê-lo em Alexandria. Isto somado ao repúdio de Octávia e ao facto de António se casar com Cleópatra seguindo o ritual egípcio, foi explorado pela intriga romana. Pouco depois, numa cerimónia realizada em Alexandria, Cleópatra apareceu vestida como Ísis e António como Dioniso para proclamar Cleópatra como “rainha de reis” e Cesarião como “rei de reis” (o título dos antigos reis persas derrotados por Alexandre).

Os filhos de Cleópatra e António também receberam territórios (Arménia, Cirenaica, Chipre…), alguns dos quais ainda por conquistar. Cleópatra e Cesarião reinariam sobre o Egipto e Chipre. Esta nova ordem conjugaria a tradição do antigo império persa com a milenar monarquia faraónica, esboçando um novo império cujo centro seria o Egipto, embora, pelo menos de momento, como estado vassalo de Roma.

Herdeiros de um Império, os gémeos AlexandreHélios e Cleópatra Selene.

A propaganda de Octávio trabalhava amplamente: Roma – dizia-se – ia converter-se num estado dependente do império oriental e os romanos seriam escravos dos eunucos orientais e da sua rainha rameira, “a egípcia”. Octávio perseguiu os partidários de Marco António no Senado e, com novos senadores nomeados, anulou os poderes de Marco António e declarou guerra a Cleópatra. Habilmente, deixou que fosse António a colocar-se ao lado de Cleópatra, sabendo que, ao fazê-lo, transformar-se-ia num traidor da sua pátria.

O Destino dos Filhos de Cleópatra

A maioria dos filhos de Cleópatra teve um final trágico. O mais velho, Cesarião, era fruto da sua relação com Júlio César. Nos últimos momentos, Cleópatra quis enviá-lo para a Índia, na esperança de que ele pudesse regressar ao Egipto mais tarde, mas foi atraiçoado e entregue a Octávio, que o executou; não podia permitir a existência de um filho natural de César.

Com Marco António, Cleópatra teve três filhos cujos nomes demonstram a vontade de se vincular à linha ptolemaica: Alexandre Hélios, Cleópatra Selene e Ptolemeu Filadelfo. Órfãos de pais, foram transferidos para Roma e criados por Octávia, irmã de Octávio e esposa legítima de Marco António. Esta tutela parece corresponder a um desígnio político: tendo à disposição os filhos de duas linhagens importantes, uma egípcia (Cleópatra) e outra romana (António), Octávio pôde estabelecer alianças com reis bárbaros mediante matrimónios. Assim, Cleópatra Selene casou com Juba II da Mauritânia, e o filho de ambos, Ptolemeu, herdou este reino. Chamado a Roma pelo seu primo Calígula, foi eliminado e o seu reino transformado numa província romana. Não se conhece o destino dos irmãos de Cleópatra Selene; talvez a tenham seguido até à Mauritânia.

Derrota e morte

A guerra foi decidida num só combate nas águas de Ácio (31 a.C.). É provável que a frota romana tenha mudado para o lado de Octávio sem dar luta, pois muitos partidários de Marco António não estavam de acordo com a importância que Cleópatra assumia na tomada de decisões. Portanto, talvez fossem os egípcios os únicos a lutar nesta batalha, até que, superados, decidiram retirar. A propaganda de Octávio, no entanto, difundiu que a batalha fora decidida desde o início, a partir do momento em que Cleópatra fugira com a sua frota, sendo seguida pelo subjugado Marco António.

Depois da derrota, Marco António e Cleópatra esperaram pelo fim em Alexandria. Ao que parece, Cleópatra passou o tempo investigando venenos mais doces e mortíferos, testando os seus efeitos em condenados à morte. Não teve muito tempo, visto que, no início do ano 30 a.C., Octávio chegou ao Egipto. A rainha egípcia, numa última tentativa para salvar o seu reino, enviou-lhe o seu ceptro e o seu diadema. Marco António ainda tentou deter militarmente Octávio, mas, depois de derrotado, suicidou-se.

Por fim, Octávio entrou em Alexandria e capturou Cleópatra. Pretendia exibi-la no triunfo que esperava celebrar em Roma. No entanto, num descuido dos captores, Cleópatra conseguiu suicidar-se: a tradição diz que o fez com uma áspide que lhe chegou escondida num cesto com figos. Apesar de o seu cadáver ter pontos num braço, não foram encontradas evidências da existência de serpentes nem os médicos encontraram vestígio de qualquer veneno no seu corpo. O mito, porém, perdurou.

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