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 Os crentes adoram Jesus como Filho de Deus. 

Os cépticos desvalorizam Jesus, considerando-o uma lenda. Os artistas retrataram-no em imagens que reflectem o seu próprio tempo e espaço. Entretanto, os arqueólogos que fazem escavações na Terra Santa ajudam-nos a separar os factos da ficção.

Texto: Kristin Romey

Há muitos retratos de Jesus, desde frescos da época romana a uma reconstituição forense moderna.

O gabinete de Eugenio Alliata em Jerusalém é mais parecido com a base de um arqueólogo que preferiria estar no campo a sujar as mãos do que entre quatro paredes a arrumar artefactos. Relatórios de escavações partilham as prateleiras atafulhadas com fitas métricas e outras ferramentas do ofício.
O gabinete é parecido com os de todos os arqueólogos que conheci no Médio Oriente, só que Alliata enverga o hábito castanho-chocolate de um frade franciscano e a sua sede fica no Mosteiro da Flagelação. Segundo a tradição eclesiástica, o mosteiro assinala o local onde Jesus Cristo, condenado à morte, foi flagelado pelos soldados romanos e coroado com espinhos.

Fiéis na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, circundam a Edícula restaurada, um santuário que, segundo a tradição cristã, foi construído sobre a sepultura de Jesus Cristo. O santuário atraiu a atenção do mundo em 2016, quando a equipa de restauro descobriu restos de um túmulo antigo atrás das suas paredes ornamentadas.

“Tradição” é uma palavra muito ouvida neste recanto do mundo, onde multidões de turistas e peregrinos são atraídos a dezenas de sítios que, segundo a tradição, são as pedras angulares da vida de Cristo – desde o seu local de nascimento em Belém à sepultura em Jerusalém.

Para uma arqueóloga como eu, transformada em jornalista, sempre consciente de que culturas inteiras emergiram e colapsaram, deixando poucos vestígios da sua passagem sobre a Terra, vasculhar uma paisagem ancestral em busca de fragmentos de uma só vida parece uma perda de tempo. Não é muito diferente da perseguição de um fantasma. E quando esse fantasma é nada menos do que Jesus Cristo, que mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo crêem ser o Filho de Deus, a reportagem corre o risco de nos tentar a procurar orientação divina.

O padre Alliata recebe-me sempre com um misto de paciência e perplexidade. Professor universitário de Arqueologia do período cristão e director do Museu Franciscano de Estudos Bíblicos, o padre Alliata pertence a uma missão franciscana com mais de setecentos anos que pretende cuidar e proteger os sítios religiosos antigos na Terra Santa e, desde o século XIX, escavá-los segundo princípios científicos.

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