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Texto: Marina Montesano

Astuta, manipuladora, mas igualmente vítima de personagens poderosas, Leonor de Aquitânia teve um papel essencial na política de França e de Inglaterra, países dos quais foi rainha. O seu mecenato fez renascer a cultura cortesã.

Na história das longas disputas entre as coroas francesa e inglesa, destaca-se a figura da duquesa Leonor de Aquitânia, uma das grandes personagens do século XII. Das suas decisões políticas dependeram muitos dos acontecimentos da história de França e de Inglaterra e do seu mecenato surgiram as bases do renascimento literário da cultura cortesã. Paralelamente, construiu-se sobre Leonor uma lenda negra que teve a sua origem nos rumores dos seus contemporâneos, mas que chegou até aos nossos dias.

O século XII estava dominado em França, em Inglaterra, na Itália Meridional e no Mediterrâneo Oriental por monarquias que organizavam lentamente o seu próprio governo, mas que tinham de integrar o poder adquirido pelas aristocracias locais nos respectivos reinos. Este poder era especialmente forte em França, onde a dinastia dos Capetos só podia reinar sobre as posses directas da coroa, isto é, sobre uma pequena zona do centro setentrional do país (a chamada Île de France, entre o Sena e o Loire).

O restante reino encontrava-se dividido em poderosos ducados (Normandia, Bretanha, Aquitânia…) e em grandes condados (Flandres, Anjou, Lorena, Champanhe, Borgonha, Toulouse…), alguns dos quais mais vastos do que as possessões reais. Além disso, em 1066, um vassalo dos Capetos, Guilherme, duque da Normandia, coroara-se rei de Inglaterra, criando uma situação paradoxal: submetido feudalmente ao rei de França pelos territórios que se encontravam de um lado do canal da Mancha, o rei de Inglaterra tinha os seus próprios vassalos do outro lado do canal.

O casamento

Neste contexto, em 1124, nasceu Leonor, filha de Guilherme X, duque de Aquitânia, e de Leonor, viscondessa de Châtellerault, de quem herdou o nome, na época pouco frequente. Os territórios que se encontravam sob controlo da família compreendiam grande parte do Centro e do Oeste de França: para além de Aquitânia, Poitou, Gasconha, Limousin e Auvergne. Na corte dos duques, a personagem que mais se destacara até então fora Guilherme IX, como um dos primeiros trovadores, autor de cantigas de amor cortês (embora, com frequência, muito audazes) e um homem que, segundo os seus contemporâneos, era um adúltero incontrolável.

O matrimónio com Luís VII. Miniatura das Crónicas de Saint-Denis (séculos XII - XIII) que representa este matrimónio em Bordéus em 1137. Museu Condé, Chantilly, França.

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