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Texto: Richard Conniff

Fotografias: Robert Clark

Muitas pessoas ficam confusas com o termo “pterossauro” até se acrescentar a expressão “semelhantes a pterodáctilos”.

Foi este o nome comum dado ao primeiro pterossauro descoberto no século XVIII. A partir de então, os cientistas descreveram mais de duzentas espécies de pterossauro, mas as noções populares sobre estes animais – os dragões alados que dominaram os céus mesozóicos durante 162 milhões de anos – permaneceram inalteradas. Imaginamo-los invariavelmente como répteis alados e desajeitados, com cabeças pontiagudas, asas de couro e tendências assassinas.

Quase tão alto como uma girafa e com a envergadura de asa de um caça F-16, o Quetzalcoatlus northropi foi um dos maiores animais voadores de todos os tempos. Este modelo em tamanho real está a ser pintado num estúdio do Minnesota e destina-se a um centro cultural no Kuwait.

Veja-se, por exemplo, o filme “Quando o Mundo Nasceu”, de 1966, no qual um pterossauro captura Raquel Welch para alimentar as suas crias. Mesmo no recente “Mundo Jurássico”, de 2015, os pterossauros ainda são concebidos a erguer seres humanos pelos ares, representando o papel de eternos vilões. Para além da implausibilidade gerada pelo desfasamento de 66 milhões de anos entre a extinção de uns e a hegemonia dos outros, é uma grave distorção do papel ecológico deste grupo.

Uma vaga de descobertas recentes de fósseis de pterossauros revelou novas e surpreendentes formas, tamanhos e comportamentos. Alguns paleontólogos suspeitam que centenas de espécies de pterossauros poderão ter vivido em simultâneo, dividindo entre si os habitats, à semelhança das aves contemporâneas. O seu mundo incluía monstros como o Quetzalcoatlus northropi, um dos maiores animais voadores alguma vez descobertos, quase tão alto como uma girafa, com uma envergadura de asas de 10,7 metros e um provável gostinho especial pela captura de crias de dinossauros. Incluía, ao mesmo tempo, pterossauros do tamanho de pardais que esvoaçavam pelas florestas primordiais e podem ter-se alimentado de insectos, pterossauros de grandes dimensões com uma autonomia de voo de vários dias que lhes permitia atravessar oceanos, como os albatrozes modernos, e pterossauros que habitavam charcos de águas salinas e praticavam a alimentação por filtragem, como os flamingos.

Fibras semelhantes a pelagem deixaram marcas subtis em sectores deste fóssil de Jeholopterus descoberto na China. A penugem isolante sugere a possibilidade de os pterossauros mais evoluídos terem sido animais de sangue quente. 

Entre os achados mais excitantes encontra-se um conjunto de ovos fossilizados de pterossauro. Tomografias desses ovos intactos revelaram o mundo dos embriões no interior da casca e ajudaram a explicar a maneira como as crias se desenvolviam. Até se descobriu um ovo no oviduto de uma fêmea de pterossauro Darwinopterus na China, juntamente com outro ovo aparentemente expelido devido ao impacte que a matou. Este espécime tornou-se assim o primeiro pterossauro cujo sexo foi indiscutivelmente identificado. Uma vez que não tinha crista na cabeça, forneceu as primeiras provas concretas de que, tal como acontece em algumas aves contemporâneas, as cristas altas e coloridas funcionavam provavelmente como dispositivo de exibição sexual em machos. Estas descobertas deram uma aura mais realista aos pterossauros, transformando-os em animais reais. Naturalmente, os investigadores tornaram-se igualmente mais ávidos de novas informações sobre eles.

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