Velho problema sem solução

sanit1Índia, um agricultor de Peepli Khera encaminha-se para uma plantação de cana-de-açúcar para defecar levando consigo um recipiente de água para as abluções. Na sua aldeia, a norte de Deli, só uma família dispõe sanitários. As outras vão ao campo – os homens de um lado da aldeia, as mulheres do outro.

Texto: Elizabeth Royte 

Fotografias: Andrea Bruce

Quase mil milhões de pessoas defecam ao ar livre todos os dias, provocando doenças e até mortes. O problema não se resume à inexistência de instalações sanitárias: em muitos locais, a cultura é o factor decisivo.

Aos 65 anos, Moolchand não tem qualquer problema em acordar cedo para dedicar-se à “caça” antes da alvorada.
Na verdade, adora essa actividade. “Escondo-me junto da estrada, com a minha lanterna”, diz, em voz baixa e entusiasmada, gesticulando enquanto desce a rua principal da aldeia de Gaji Khedi, no estado indiano de Madhya Pradesh. “E procuro pessoas de lota na mão.”

Uma lota é um contentor de água, tradicionalmente de latão, mas hoje o plástico é mais comum. Quando avista um alvo às primeiras horas da manhã, o mais certo é que o seu dono, ou dona, se dirija a um campo, ou beira de estrada, para defecar, usando a água para se limpar.

“Vou atrás deles”, prossegue Moolchand. “Sopro o apito e despejo-lhes a lota” Moolchand considera-se defensor de uma honra duramente conquistada: a administração distrital classificou a aldeia como “livre da defecação a céu aberto”. “As pessoas zangam-se comigo e gritam-me quando as impeço”, diz. “No entanto, o governo deu-nos grandes apoios para construção de sanitários e, por isso, não há desculpa.”

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