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COLOMBO RECEBIDO PELOS REIS CATÓLICOS O acontecimento teve lugar em Março de 1493 em Barcelona. Foi nessa cidade que Colombo se apresentou com seis índios, papagaios, algumas peças de ouro e produtos americanos. Informou os reis que descobrira ilhas, que poderiam funcionar como pontos de escala, numa nova rota para chegar à Ásia. Óleo sobre tela de Andrés García Ibáñez, realizado em 1858 (Museu do Exército, Madrid).

Nascido em 1451, Colombo cedo se apaixonou pelo mar. Foi corsário ao serviço de Renato de Anjou, trabalhou nas rotas do açúcar do Mediterrâneo e começou a explorar as águas atlânticas com apenas 20 anos. Em 1476, instalou-se com a família em Lisboa. Navegou para Inglaterra e, em 1479, casou-se com Filipa Moniz Perestrelo, filha do antigo governador de Porto Santo, marinheiro experiente e cosmógrafo. Segundo alguns autores, a sogra de Colombo entregou-lhe os mapas e papéis do marido defunto. Colombo viveu no arquipélago da Madeira, onde começou a conceber a ideia de alcançar as Índias pela rota ocidental. Em Portugal, terá conhecido marinheiros que lhe relataram viagens, tempestades e ventos que afastavam os navios do continente africano, atirando-os para territórios desconhecidos. Sempre envolvida em mistério, a figura de Colombo nestes primeiros anos está recheada de mitos e teses mal substanciadas.

Uma vez amadurecido o projecto de chegar à China por ocidente, Colombo apresentou-o à coroa de Portugal. O empreendimento foi rejeitado devido ao enorme risco e, sobretudo, porque, após a assinatura do Tratado das Alcáçovas em 1479, os portugueses tinham apostado em alcançar a Índia pela rota contrária. Depois da rejeição portuguesa, Colombo dirigiu-se a Castela e, em 1486, apresentou o projecto aos Reis Católicos. O seu empenho em alcançar a Ásia desde a Europa por ocidente foi novamente rejeitado por uma comissão de especialistas, que opinaram que o navegador se baseava em conjecturas e dados falsos ou impossíveis de comprovar.

A partir daqui, abrem-se muitas hipóteses para os biógrafos do almirante. O que justificava a segurança do genovês? Alguns afirmam que Colombo terá conhecido um piloto que lhe terá revelado dados fidedignos segundo os quais havia ilhas no caminho para a Ásia. Um historiador argentino, Enrique de Gandía, escreveu mesmo que o «piloto desconhecido» terá sido o próprio sogro de Colombo, em cujos papéis estaria informação sobre territórios por desbravar. O historiador espanhol Juan Manzano defendeu que Colombo conheceu interlocutores que tinha viajado à costa americana em viagem anterior. Na verdade, nunca se saberá.

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CRISTÓVÃO COLOMBO (1451-1506) António de Herrera, cronista castelhano das Índias, descreveu-o como “de morfologia alta, de rosto longo e afirmativo, nariz aquilino, olhos azulados, a face esbranquiçada que se incendeia: a barba e cabelos, louros durante a juventude, tornaram--se rapidamente gastos à custa dos trabalhos penosos”. Retrato anónimo do século XVI (Museu da América, Madrid).

Apesar da rejeição inicial, Colombo continuou à procura de apoios em Espanha. Sabia que o êxito da sua viagem dependia de uma base nas ilhas Canárias que permitisse aceder ao corredor dos ventos alísios atlânticos e este arquipélago pertencia a Castela. A conjuntura histórica desses anos não era prometedora, visto que os principais esforços da monarquia e dos homens ricos de Castela estavam concentrados nas campanhas contra os últimos redutos do reino nasrida de Granada. As exageradas pretensões do navegador também não ajudavam. O rei Fernando inquietou-se com a ambição de Colombo pelo título de Almirante Perpétuo do Mar Oceano: a família materna do rei possuía o único título de almirante de Castela.

Por outro lado, o Tratado das Alcáçovas impedia os Reis Católicos da expansão marítima meridional pelo caminho do Levante, e os monarcas estavam desgostosos com o êxito das explorações portuguesas e com o controlo das rotas do ouro africano. Se o projecto de Colombo tivesse êxito, satisfaria os desejos expansionistas dos castelhanos.

No dia 2 de Janeiro de 1492, os Reis Católicos concluíram a conquista de Granada e entraram na cidade. O clima de euforia do final da Reconquista trouxe para Castela um optimismo e uma mística de nação escolhida por Deus que alimentava novos desafios. O projecto de Colombo encontrou ouvidos mais receptivos e foi finalmente colocado em marcha.

No dia 17 de Abril de 1492, assinaram-se as Capitulações de Santa Fé, concluindo as batalhas de Granada e abrindo novo capítulo na história castelhana. Foi assinado um contrato entre a coroa e Cristóvão Colombo através do qual os reis reservavam a titularidade das terras que fossem descobertas a troco do seu financiamento da campanha. Por seu lado, os monarcas aceitavam as petições do genovês: nomeá-lo-iam vice-rei perpétuo e governador de qualquer território que encontrasse, almirante hereditário do Mar Oceano, beneficiário de 10% dos tesouros descobertos e de uma oitava parte dos lucros do tráfico e do comércio.

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