Alimentação dos romanos pode ter contribuído para a queda do império

Em Tróia, foram encontrados artefactos cerâmicos ligados à indústria alimentar do Império Romano. As escavações arqueológicas permitiram descobrir restos de crustáceos e moluscos (em baixo), assim como resíduos de peixe (principalmente sardinha) utilizado na confecção de garum, que era preparado em grandes tanques de salga (em cima). Estes tanques não serviriam para armazenamento.

 

Sabe-se hoje que o envenenamento por chumbo provoca loucura e degeneração mental, e poderá não ter sido meramente acidental o rol de demências descritas nas crónicas de época. Em artigo de 2010 no “Journal of Chemical Education”, Aravind Reddy e Charles Braun, químicos no Dartmouth College, defenderam que, para além dos revestimentos de chumbo, a aristocracia romana utilizaria igualmente produtos de cosmética com este metal e médicos romanos, como Celsus, usá-lo-iam com frequência nas suas poções e preparados farmacológicos. Juntem-se ainda as escavações arqueológicas em Herculano e as análises osteológicas, que permitiram saber que 6 dos 55 esqueletos testados continham teores de chumbo muito mais altos do que o normal (100 a 200 ppm, em comparação com o padrão 20-50 ppm dos Estados Unidos). A hipótese ganha assim um pouco mais de consistência.

Terá algo tão banal como um hábito alimentar ajudado a fragilizar um império?

As classes mais altas de Roma, que decidiam os destinos do Império, estariam assim em contacto com materiais de chumbo com mais frequência. Uma das linhas de investigação do heroica tenta perceber a validade desta hipótese: terá algo tão banal como um hábito alimentar ajudado a fragilizar um império? Parte da resposta poderá em breve assomar no horizonte, algures entre as suaves curvas das planícies alentejanas…
Entretanto, de volta a Cádis, o projecto “Flor de Garum” recebeu mais um prémio, alimentando a vontade de sabermos mais sobre o que comiam os romanos e por que motivo as suas iguarias não sobreviveram até aos nossos tempos.

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